Economia solidária e a mudança na forma de consumo

O mundo da moda é muito bom em repaginar tendências. Notem que as calças bocas de sino agora chamadas de calças flare, voltaram aos editoriais. O mesmo aconteceu com as polainas, cintura alta, ombreiras e até (pasmem!) a famigerada pochete ( que não deslanchou, graças a Deus).

Não é tão diferente assim com o que acontece atualmente com a economia solidária. Criada lá no século XIX por causa da revolução industrial que forçou os trabalhadores a se organizarem em cooperativas e alterarem a forma de consumo e sobrevivência daqueles que estavam sendo substituídos por máquinas, a atual realidade do mundo, com crise econômica, desastres natuais e novas formas de trabalho, faz com que a gente questione o antigo modelo de produção que concentra quase toda riqueza do planeta naquele 1% da população mundial. O nome, criado por brasileiros é recente. A ideia, o modelo e os motivos por trás dessa iniciativa, não.

A economia solidária não se confunde com o terceiro setor, ela não é ONG e não visa a ausência de lucro.  O foco é na valorização do ser humano e na divisão equalitária dos rendimentos, não existindo dessa forma, exploração da mão de obra. A autogestão define a economia solidária, onde todos são donos e todos são trabalhadores. O lucro é repartido igualmente, pois entende-se que não há trabalho mais importante do que outro ( e não há mesmo), todos fazem parte de uma engrenagem onde a atividade de um depende da atividade de seu parceiro. Sem produção não há gerência e sem gerência não há produção, simples assim. A Volkswagen não existiria se não fossem os “peões de chão de fábrica” produzindo os carros, assim, como não seria próspera se não fosse bem administrada. São trabalhos complementares e não mais importantes um do que o outro e, portanto, as remunerações não deveriam ser tão discrepantes.

Para os consumidores, é a oportunidade de fazer uso de produtos mais sustentáveis tanto ambientalmente, quanto socialmente. É praticamente trazer para si, a responsabilidade pela mudança no mundo. Muito da concentração de riqueza que temos na atualidade, diz respeito a nossa forma de consumir itens caríssimos que se valem de mão de obra escrava sem ao menos questionar.

Desta forma, não há como separar o modo solidário de produzir e consumir da consciência política. Por favor, não confudam política com politicagem. Ao preferir os pequenos produtores e empreendedores, o poder é retirado das mãos de grandes empresas e latifúndios e incentiva o crescimento de projetos produtivos coletivos, cooperativas populares, cooperativas de coleta e reciclagem, redes de produção, comercialização e consumo, instituições financeiras (Alô Viacredi para quem é do Vale do Itajaí), cooperativas de agricultura familiar, prestação de serviços e muitas outras que garantem trabalho e remuneração dignas às famílias envolvidas.

Em 2014, havia cerca de 30 mil empreendimentos solidários gerando renda e trabalho para mais de dois milhões de brasileiros, movimentando anualmente cerca de R$12 bilhões.

Estão contabilizadas aí, as quebradeiras de coco babaçu que atualmente são em torno de 400 mil mulheres espalhadas principalmente na região norte e nordeste do País. Estas mulheres, encontraram na organização em forma de cooperativas e associações, a valorização do trabalho rural feminino, por meio da exploração sustentável da cadeia produtiva do babaçu e o desenvolvimento de seus produtos, como o mesocarpo (ou farinha de babaçu), óleo, azeite, sabão em barra e pasta de brilho.

Os movimentos sociais que agruparam as quebradeiras de coco babaçu com a missão de organizar as mulheres trabalhadoras para que estas passem a conhecer os seus direitos, defendam as palmeiras de babaçu que eram constantemente queimadas pelos latifundiários e, com isto, promovam melhores condições de vida nas regiões do extrativismo do babaçu, nasceram na segunda metade da década de 80 e desde então, vem travando duras lutas contra fazendeiros, pecuaristas e grandes empresas. Infelizmente, muito sangue já foi derramado nesses embates, mas a realidade atual é bastante promissora, com o empoderamento feminino, cursos para capacitação tanto de produção quanto de gerenciamento, o aumento da renda familiar média mensal que antes estava em torno de R$100,00, estas mulheres tem vencido luta após luta.

O babaçu ainda é um tesouro brasileiro desconhecido pela sua população, o que é muito triste, mas quanto mais a gente fala de economia solidária, quanto mais a gente valoriza os nossos produtos, os nossos trabalhadores e o nosso povo, mais a gente contribui para essa mudança que vem ocorrendo na nossa sociedade.

Seja você como produtor ou como consumidor, você faz parte disso. Orgulhe-se. De pouco em pouco, todos nós estamos mudando o mundo!

 

Para não falar de crise: Consumo sustentável

Faz bem uns dois anos que eu ouço falar ininterruptamente sobre crise. Quando eu fui montar meu escritório, o conselho é para que não fizesse, porque o país estava em crise. Quando eu quis mudar para um aluguel mais caro, o conselho é que eu não fizesse porque o país estava em crise. Quando eu quis mudar de emprego, sabem qual era o conselho? Poisé.

Eu sei que a situação não está facil. Sei que ano passado e ainda neste ano, milhares de demissões foram feitas e sei que o supermercado está caro, mas a verdade é que a crise (quase) não me atingiu.

Ontem, enquanto jantávamos a gente estava conversando em como 2015 e 2016 têm sido anos bons para nós. O Bruno está no mesmo emprego, logo a renda é a mesma. Eu, que larguei um emprego e comecei um negócio novo, também estou indo bem, mesmo que a minha renda tenha diminuído um pouco.

A verdade, é que de uns dois anos pra cá a gente iniciou um movimento em casa de consumo sustentável e com isso nossos gastos caíram drasticamente. A gente se desfez de um carro que não precisávamos, diminuímos o consumo por impulso, diminuímos as compras parceladas, mudamos para uma cidade mais barata, passamos a confraternizar mais com os amigos em casa do que nos bares carísssimos e, neste ano, o que acabou cortando mais da metade de nossos gastos com o mercado, é o fato de termos diminuído drasticamente o consumo de industrializados. A gente não come mais carne durante a semana, compramos apenas legumes, frutas e verduras, temperos a granel e sem refrigerante. Passamos a consumir roupas de pequenas marcas aqui de Blumenau, compro mais no comércio de rua do que no shopping e aumentamos as refeições em casa.

Todos esses ajustes foram feitos naturalmente. A cada mês a gente encontrava supérfluos na nossa vida que atrapalhava o orçamento, a saúde, a dieta, as ideologias e por aí ia. A gente sabe exatamente o quê gostamos de consumir e não queremos abrir mão, viagens, por exemplo é um deles.  A gente começou a perceber que às vezes gastava o dinheiro de uma viagem legal sem nem perceber, só consumindo de forma enlouquecida, desenfreada, seguindo a cartilha que ensinaram para a gente: consuma muito e seja feliz. Hoje a gente sabe que a verdade é o contrário: consuma menos e seja feliz.

Vemos ao nosso redor muita gente reclamando da crise. Muito porque os gastos aumentaram e a renda não. Outros porque a renda diminuiu e os gastos foram mantidos, mas ninguém quer rever a forma de consumo. Enxergo esse momento como uma ótima oportunidade para promover a mudança de alguns conceitos na nossa vida. Quem não muda pelo amor, muda pela dor. Ainda bem que escolhemos mudar pelo amor lá em casa, e nessa época difícil a gente tem ficado tranquilo.

Esse texto, não é para defender governo dizendo que não há crise, mas sim, para dizer que, com ou sem crise, o consumo sustentável sempre será a chave para uma boa vida, tranquila e com o que importa e hoje, mais do que nunca, a gente quer levantar essa bandeira para o mundo.

Texto escrito por Dani Menezes, nossa facilitadora do 16ª Open Mic – Economia Solidária.

Um mundo sem lixo é possível?

Para responder a esta pergunta, nós precisamos, primeiro, entender o que é lixo. Ora, pois, como se diz em Portugal, vamos lá. Por muito tempo, a palavra lixo era usada para descrever as sobras de atividades humanas que eram consideradas inúteis ou sem valor. Mas se olharmos para os resíduos que geramos em casa todos os dias, logo percebemos que isso não é bem verdade.

Quer desenvolver mais sobre o conceito do Lixo Zero? Então inscreva-se na nossa oficina!

Considerando que mais ou menos metade do produzido é orgânico (restos de alimentos) e quase todo o restante é material reciclável, o que sobra, afinal, não tem nada de lixo. Muito pelo contrário: são recursos valiosos que podem ser transformados, gerando renda para famílias, movimentando a economia, preservando ambientes e diminuindo a pressão sobre os bens naturais.

Isso acontece porque o que é orgânico pode ser compostado, virando adubo e gerando biofertilizante, e o que é de vidro, plástico, papel, metal ou de combinações destes elementos pode voltar para a cadeia produtiva por meio da reciclagem ou reutilização, formando novos produtos. Então, respondendo à pergunta, sim, é possível um mundo sem lixo!

Rejeitos, recicláveis e orgânicos

O conceito lixo zero (zero waste, em inglês – desperdício zero) surgiu na década de 1970 na indústria química. Desde então, espalhou-se para outros setores da sociedade em todo o mundo.

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010, diz que recicláveis e orgânicos são considerados resíduos sólidos, termo que indica potencial de reaproveitamento ou tratamento. Ou seja, não é lixo. Rejeito é o resíduo sólido que não pode ser reaproveitado ou tratado porque ainda não existe tecnologia para tal ou porque não é economicamente viável. Na prática, este é o único de todos os resíduos gerados que deveria ir para o aterro sanitário ou industrial.

Quando se diz lixo zero, entende-se que não existe lixo, pois os resíduos orgânicos e recicláveis são, na verdade, recursos valiosos. Mas mesmo assim, acontece de gerarmos lixo no dia a dia. Isso porque, quando misturamos todos estes materiais, acabamos impossibilitando, ou no mínimo, dificultando a reutilização ou reciclagem.

O conceito lixo zero, portanto, refere-se à separação correta dos resíduos (com a higienização devida), à destinação adequada (o que é orgânico, compostagem; recicláveis, reciclagem ou reuso) e o máximo reaproveitamento, reduzindo o que é encaminhado para os aterros sanitários.

Quando evitamos usar aquilo que é considerado rejeito, acabamos não enviando nada para o aterro. Assim, não geramos lixo.

Lixo zero na prática

O que ajuda muito no processo de tornar-se lixo zero é compreender que não existe “jogar fora”, pois tudo continua dentro do planeta. Depois que você experimenta a liberdade de viver e consumir conscientemente, sem prejudicar a nossa grande casa e sua bela biodiversidade (da qual somos parte!), well, baby, o negócio só melhora.

Você começa levando sua própria sacola ecológica para as compras e quando vê, já não vive mais sem uma composteira ou minhocário e não sai de casa sem sua própria garrafa permanente, guardanapo de pano e potes para compras a granel, entre muitas outras atitudes em prol do lixo zero.

A adoção de uma vida lixo zero passa por todos os setores do nosso cotidiano e nos permite fazer tudo que já fazemos, mas sem produzir lixo ou, então, gerando o mínimo de resíduos possível. Higiene pessoal, limpeza da casa, alimentação em casa e na rua, viagens e tudo o mais entram na festa.

Para nos ajudar no dia a dia, contamos com a família dos Rs, importantes aliados do conceito lixo zero: recusar o que pode gerar lixo, reduzir, reutilizar, reparar, reintegrar à natureza pela compostagem e reciclar. De ação em ação, vamos diminuindo nosso impacto negativo sobre o planeta e incentivando outras pessoas a mudar de hábitos, sem precisar se mudar para o meio do mato para preservar o ambiente.

Na oficina “Como ser lixo zero na prática”, vamos mostrar atitudes simples e práticas que vão revolucionar a maneira como você vê o mundo e se relaciona com ele, além de dar dicas de como fazer este processo de forma autônoma na sua vida, aprendendo a identificar pontos de melhoria e buscar soluções.  

Texto enviado pela Letícia Klein, Jornalista e técnica em meio ambiente na FAEMA.

Perfil de Investidor – como escolher o melhor investimento para você

Na hora de se fazer um investimento financeiro é comum perguntar aos profissionais do mercado: “qual é o melhor investimento”? É bem provável que você esteja esperando a resposta para essa pergunta, mas ela não é tão simples assim, pois depende do seu perfil de investidor.

Anote aí: workshop sobre investimentos pessoais no próximo dia 29 de Junho. Clique aqui e inscreva-se!

Para entender o que envolve essa resposta, imagine se entrássemos numa farmácia perguntando ao atendente: “qual é o melhor remédio que você tem aí?” Difícil para ele responder isso sem fazer algumas perguntas, não? No mínimo ele teria de lhe perguntar: Quais são seus sintomas? “Há quanto tempo está se sentindo assim?” “O que você comeu nos últimos dias?” etc. Da mesma forma, não entramos numa revenda de automóvel dizendo que queremos comprar o melhor carro. O vendedor precisará saber se você o utilizará sozinho ou para a família; se o usará mais na cidade, em estrada ou numa chácara; etc.

Você sabe qual é o seu perfil de investidor?

Para definir o melhor investimento para cada um, não é muito diferente. É necessário primeiramente se obter algumas respostas para se ter uma opção de investimento adequada à situação de cada pessoa. Por exemplo: Por quanto tempo você deseja manter o investimento? Pode acontecer de ter de resgatar o investimento a qualquer momento? Quais são seus investimentos atuais? Qual é a quantia a ser investida? Qual é a sua tolerância às variações de rendimentos?.

Enfim, tudo isso definirá o que chamamos de “perfil de investidor” e só com isso muito bem definido é que se pode responder qual é a melhor solução para você.

No entanto, é importante saber que existem três coisas que você nunca terá num mesmo investimento: alta liquidez (possibilidade de poder resgatar o valor a qualquer momento), alto rendimento e baixo risco. Isso seria o “sonho” de qualquer investidor: não se arriscar e ainda poder resgatar seu investimento a qualquer momento com altas rentabilidades diárias. Mas, na prática, isso não existe! Você sempre terá de abrir mão de uma ou duas coisas para conseguir a terceira. Este é um fator que não depende do seu perfil de investidor.

Na poupança, por exemplo, você tem alta liquidez (pode resgatar a qualquer momento) e baixo risco, porém, tem uma rentabilidade tão baixa que pode até nem conseguir superar a inflação. Já numa LCI ou LCA, você encontra uma rentabilidade muito melhor que a poupança, com a mesma segurança da poupança, porém, normalmente com um prazo de carência para resgate (baixa liquidez).

Já os CDBs prefixados (que são muito recomendados para os momentos de tendência de queda da Selic pelos quais passamos atualmente) também possuem a mesma segurança que a poupança, LCI e LCA, porém, entregarão a maior rentabilidade possível no cenário de queda da Selic. No entanto, os CDBs prefixados mais interessantes normalmente têm carência de 2 a 3 anos (não podem ser resgatados antes desse período).

E então? O que fazer? Para responder essa pergunta é que existem os assessores de investimentos. Esses profissionais lhe entregarão uma solução diversificada para aproveitar um pouco de cada uma das vantagens que você procura (alta rentabilidade, baixo risco e alta liquidez).

Texto escrito por Roberto Seidel, assessor da Patrimono Investimentos.

O Eneagrama da liderança com espiritualidade

Parece inevitável associar espiritualidade e religião. Pois não é a mesma coisa. A palavra religião corresponde ao verbo “religar” e significa o movimento humano de ligar-se a algo superior, além do limitado. As religiões, cada qual com seu sistema de crenças e orientações, são grandes contribuintes para o caminho da espiritualidade.

Quer participar da nossa imersão sobre eneagrama e espiritualidade? Inscreva-se aqui.

Por sua vez, espiritualidade está relacionada àquilo que está além da matéria, do corpo. O ser humano é constituído, de maneira orgânica e unitária, de corpo, mente e espírito. O corpo remete ao físico, ao material da existência. A mente está associada ao que se constrói na imaginação, no pensamento, na compreensão e interpretação das imagens e símbolos. O espírito está ligado ao que nos mobiliza, o que nos impulsiona. É como um “motor” que gera o movimento do todo, mas nãose tem como mensurar da mesma forma que o corpo ou a mente.

Espiritualidade é a manifestação compartilhada do espírito. Embora subjetiva e pessoal, a espiritualidade tarna-se solidária do coletibo por meio das relações, pois vai sendo conhecida com o desenvolvimento de nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros.. São nossas relações que exprimem o que é o nosso espírito.

Uma ferramenta que pode contribuir muito na compressão do nosso ser é o Eneagrama, um instrumento de estudos de personalidade dinâmico e eficaz que defende a existência de nove padrões de pensamentos, sentimentos, atitudes, formas de atuar e motivações, e tem se tornado popular como uma ferramenta de trabalho de psicólogos, terapeutas, professores e coaches.

Além de mostrar os impulsos em ação, o eneagrama oferece caminhos terapêuticos e de desenvolvimento humano. É, sobretudo, um mapa da alma humana, que nos mostra com precisão onde estamos e como podemos retornar à nossa essência. Trata-se de um mapa de autoconhecimento e apresenta os tipos de personalidade com seus caminhos de evolução.

O eneagrama possibilita, por meio da compreensão da sua própria personalidade e das personalidades diferentes da sua, traçar um caminho de desenvolvimento em liderança, nos relacionamentos, autoestima, motivação e saúde física, mental e psicológica. É um sistema utilizado para ajudar as pessoas a se conhecerem melhor e, assim, possibilitá-las a trabalhar aspectos que limitam sua vida e a de outras pessoas, num movimento de aproximação de si mesmo e o desenvolvimento de compaixão pelo próximo.

Muitos já entendem que o século XXI será marcado, também na liderança, pela necessidade de autoconhecimento como base para a gestão com pessoas. Com o acesso instantâneo à informação e a liquidez das relações, se destacará quem for capaz de se compreender melhor, com mais qualidade e, com isso, ser mais eficiente na liderança de equipes a partir da liderança de si mesmo.

A interação do eneagrama com espiritualidade pode contribuir para:

  • Melhor compreensão de nós mesmos, nossos impulsos, a razão inconsciente e a intenção positiva
  • de cada atitude (ação ou reação);
  • Conhecimento das próprias limitações e disposição ao crescimento
  • Intensidade e naturalidade no processo de autoconhecimento e autocompreensão.
  • Melhor conhecimento das pessoas ao seu redor e de como lidar com as situações nos
  • relacionamentos.
  • Abertura às diferenças entre pessoas e um melhor posicionamento frente a conflitos.

Texto escrito pelo Giorgio Sinestri, fundador da Educare Desenvolvimento Humano.

Economia solidária: Do Maranhão para o mundo!

Vocês estão prestando atenção na revolução que anda acontecendo na minha vida? Pois prestem e anotem aí, é daqui para o mundo rsrs.

A gente quando se abre para o Universo e deixa as oportunidades entrarem é capaz de promover coisas incríveis na vida, né!? Larguei o Direito por que estava insatisfeita com a qualidade da minha vida, com a qualidade do resultado que o meu trabalho tinha na vida dos outros, porque ele trazia negatividade aos meus dias e muitos outros motivos. Eu talvez nunca vá saber explicar para vocês o que se passava aqui dentro de mim – deve ser algo que apenas eu e o Bruno (por acompanhar bem, bem de perto) consiga compreender.

O último post foi para contar pra vocês que eu estava enveredando pelo ramo da saboaria artesanal. Pois bem, saí de férias e fui visitar a minha família paterna em Codó, no Maranhão, quase divisa com o Piauí. Fazia parte dos meus planos comprar óleo de babaçu para utilizar como matéria prima nos meus sabonetes. Fazia parte dos meus planos fazer um mini documentário mostrando para vocês como é a vida naquela região. Fazia parte dos meus planos mostrar ao meu professor e ao mundo, que ninguém parou de trabalhar porque ganha bolsa família. Não fazia parte dos meus planos ter esquecido a minha máquina digital..rsrs (mas a gente filmou com o celular mesmo assim).

Chegando lá, meu avô me levou na associação das mulheres quebradeiras de coco para que eu conhecesse um pouco a história delas e como acontecia toda a produção. Comprei 6 litros de óleo e anunciei em alguns grupos que eu estava trazendo, caso alguém se interessasse. As pessoas enlouqueceram. Resultado 1: larguei praticamenteTODAS AS MINHAS ROUPAS em São Paulo e trouxe os meus 23kg de bagagem CHEIA DE OLEO DE BABAÇU. Resultado 2: Papai já mandou quase mais 60 litros de óleo pra mim, desde que eu cheguei em Blumenau no dia 19 de abril. Vou dominar o mundo, ou não vou?

Agora vou explicar melhor toda a situação, sentem aí que lá vem história.

Eu saí do Maranhão em 98 mas o Maranhão nunca saiu de mim. Eu já havia bolado na minha cabeça trocentos mil planos desde voltar para São Luís a fazer algo que impulsionasse o meu estado, tão judiado pela aquela família que não devemos nomear. Com exceção de levar os amiguinhos para fazer turismo sempre que a gente tem oportunidade, quase todos os meus outros projetos falharam, porque eu não fazia ideia de por onde começar. E não tinha ideia até o dia 07 de abril, quando fui visitar a associação em Codó e passei a pesquisar tudo a respeito do babaçu, que vou falar aqui de forma bem suscinta.

A maior parte das palmeiras de babaçu está no Maranhão, mas estados como Piauí, Tocantins e Pará, também são beneficiados. O babaçu é responsável pela renda de quase 300 mil mulheres, que são conhecidas pelo nome de quebradeiras e que enfrentaram e continuam enfrentando uma luta diária para conseguirem seguir com o seu trabalho. Muitas palmeiras estão dentro de fazendas particulares, que passaram a impedir a entrada das trabalhadoras para pegar o coco. Mais criminoso ainda, é a atitude de tacar fogo nos babaçuais apenas para prejudicar as mulheres ou para transformar em pasto (um dos motivos pelo qual cortei drasticamente a carne na minha vida, mas isso é papo pra outro texto). Em 1997 foi aprovado no município de Lago do Junco, no Maranhão a lei do babaçu livre, que basicamente tenta regulamentar a atividade das quebradeiras, impondo restrições a derrubada das palmeiras e evita que os fazendeiros impeçam a entrada das mulheres em suas propriedades. No entanto, tal lei ainda é municipal e beneficia cerca de 10 mil mulheres no total e estamos nos cafundós do Nordeste, sabem o que isso significa né? Lei é luxo!

Aos poucos, as quebradeiras foram se juntando e formando associações para que pudessem ser mais fortes ao enfrentar tantas batalhas. Em 1995, foi criado o movimento interestadual das quebradeiras de coco babaçu (MIQCB), que luta pelo direito a terra e a palmeira para que possam trabalhar e manter a natureza estável, além de pleitearem o reconhecimento das quebradeiras de coco como uma categoria profissional.

Do MIQCB foram surgindo pequenas associações, cada uma em sua região. A que eu visitei foi a de Codó, comandada pela dona Áurea e bem cuidada pela dona Ló. Mas há várias outras espalhadas por aí.

Da palmeira quase tudo se aproveita. Da palha, elas fazem artesanato e cobertura de suas casas, da casca fazem carvão, das amêndoas, azeite, óleo, sabão, sabonete, pasta de brilho e a farinha, conhecida como mesocarpo e, das sobras é feito o que chamam de torta, que serve para alimentação animal. É um daqueles tesouros brasileiros que ninguém valoriza, que ninguem aproveita. Fui pesquisar e descobri que a quase 10 anos, o Brasil exporta paraos Estados Unidos e Europa, e o salões de  Milão desde 2013, utilizam escova de babaçu em suas clientes. Enquanto isso, nós, vamos ficando para trás. Judiando de nossas guerreiras, condenando-as ao esquecimento, utilizando em nossa casa, produtos caros, de péssima qualidade e cheios de química. As pessoas falam “antigamente, o povo comia ovo e bacon no café da manhã e ninguem tinha nada”, é claro, eles não se envenenavam constantemente como a gente costuma fazer.

Eu não preciso dizer que fiquei apaixonada por aquilo tudo. É um trabalho de economia colaborativa. É um trabalho que fortalece as mulheres. Elas, são feministas e nem conhecem esse termo. Muitas, iniciaram como quebradeiras para não depender do sustento do marido. Outras, cansadas de serem abusadas, encontraram no trabalho de quebradeira uma forma de ser independente, com uma renda de R$100,00 por mês, que é o suficiente para não deixar sua família morrer de fome, em um dos estados mais pobres desse País. São mulheres que poderiam ter baixado a cabeça e desistido, mas não. Elas reagiram, lutaram, batalharam, tiveram imensas conquistas, que eu, com meu diploma de advogada nunca terei nessa vida – eu não sei o que é passar fome, eu não sei o que ter necessidade. Eu sei o que é reclamar de barriga cheia, isso eu sei.

No final das contas, eu iniciei um trabalho aqui na região Sudeste e sul de formiguinha. Um trabalho que movimenta a renda das mulheres do meu amado Maranhão. Um trabalho que de forma tímida, melhora a divisão de renda desse país. Toda pessoa que compra um óleo comigo e não compra o que está no mercado, coloca um prato de comida na mesa de alguém lá em Codó. Ela não contribui paara que o CEO de uma grande indústria compre uma lancha nova, ou vá viajar de primeira classe, NÃO, ela dá a esperança que de repente a neta da Dona Ló, possa ter estudo e não ser analfabeta como boa parte das quebradeiras, que ela aprenda a falar inglês, que ela não passe necessidade, que ela possa ter um diploma. Essas coisas que a gente sonha pra gente que está por aqui mas que eu não sei por qual motivo entendemos que não pode ser um direito delas. Sabe aquela história que pobre tem que andar de ônibus enquanto rico é que anda de avião? Então, poisé..é isso.

E, se não fosse a satisfação imensa que invade o meu peito ao estar fazendo isso, os presentes que eu tenho ganhado é algo incrível. Praticamente, cada pessoa que compra algo comigo, vira uma amiga aqui no facebook. Vira e mexe o Bruno pergunta “que tanto você faz nesse facebook?” as respostas variam “tô papeando aqui com uma menina que conheci lá na comunidade”, “tô pegando uma receita aqui com uma menina que comprou óleo” ou ” tô combinando aqui de tomar um cerveja que a fulana de tal”. Sabe aquela energia boa? Elas querem o óleo pra passar no cabelo, pra usar na cozinha, pra conhecer, mas se interessam pela história toda, abraçam o meu sonho, divulgam em suas redes sociais, assim, por pura satisfação. Antigamente, 98% dos meus clientes só reclamava até mesmo quando a gente ganhava. Agora não. Eu vendo, sigo um sonho, ganho um dinheiro, faço amiguinhas, meu coração fica feliz. É um ciclo desses que a gente só pode agradecer né!? E eu vou repetir de NOVO o que eu sempre digo: Se você quer mudar sua vida, apenas COMECE.

É isso..Fiquem com uma musiquinha do babaçu😉 Apresentação das quebradeiras de coco babaçu!

Ei! Não derruba esta palmeira
Ei! Não devora os palmerais.
Tu já sabes que não pode derrubar,
precisamos preservar as riquezas naturais.

O coco é para nós grande riqueza,
é obra da natureza, ninguém vai dizer que não.
Porque da palha só se faz casa pra morar
Já é meio de ajudar a maior população.

Se faz óleo pra temperar a comida,
é um dos meios de vida pros fracos de condição
Reconhecemos o valor que o coco tem,
a casca serve tambem pra fazer o carvão.

Com óleo de coco, as mulheres caprichosas
fazem comidas gostosas de uma boa estimação
Merece tanto seu valor classificado que,
com óleo apurado, se faz o melhor sabão.

Palha de coco serve pra fazer chapéu,
da madeira faz papel ainda aduba o nosso chão
Talo de coco também é aproveitado,
faz quibane, faz cercado pra poder plantar feijão

A massa serve pra alimentar o povo.
Tá pouco o valor do coco, precisa dar atenção
Para os pobres, este coco é meio da vida
Pisa no coco, Margarida! E bota leite no capão

Mulher parada, deixa de ser tão medrosa!
Seja um pouco mais corajosa, segura na minha mão
Lutemos juntas com coragem e com amor
Pra o governo dar valor a esta nossa profissão

Santa Maria é a nossa companheira
Grande força verdadeira que proteje esta nação
Que fortalece a nossa luta pouco a pouco
E a mulher que quebra o coco pede a sua proteção

Texto escrito por Dani Menezes, nossa facilitadora do 16ª Ed. do Open Mic – Economia Solidária.

Como dar o próximo passo para tirar sua ideia do papel

 

Eu passei alguns anos da minha vida em busca do emprego dos meus sonhos: ter um bom salário, horário flexível de trabalho, oportunidade de crescimento constante, autonomia para criar e decidir, etc.

Mas foi quando abri o meu PRÓPRIO NEGÓCIO – a Escola da Nova Economia – que descobri ser essa a melhor maneira de reunir todas essas características, afinal ser empreendedor é o trabalho mais completo e desafiador que alguém pode ter!

Mas pra chegar a tomar esse decisão de empreender não foi nada fácil! Entre idas e vindas, aprendi muita coisa sobre qual comportamento adotar, quando estou um passo antes de abrir efetivamente o meu negócio.

Compartilho abaixo com vocês as 5 Melhores Dicas para você também dar o próximo passo e tirar sua ideia do papel!

Boa sorte!

5 Melhores Dicas para você tirar sua sua ideia do papel! – Download aqui!

Wagner Mattos
Fundador, Docente e Aprendedor
Escola da Nova Economia
Já foi facilitador aqui na isCool – veja!

Por que meu certificado não me certifica?

Já parou para pensar porque você está cursando uma formação de nível superior ? A carreira e a vida que você almeja necessariamente passam pelo ensino tradicional ?

Destaque importante! Dia 09 de Junho faremos um encontro para falar sobre esse assunto. Bora participar? Inscrições aqui!

Quando pensamos nas pessoas que no último século fizeram história, seus feitos e descobertas mudaram a nossa vida e o modo como vemos o mundo e sociedade, que conhecimentos essas pessoas tiveram? Que tipo de formação buscaram?

Nem todas essas pessoas passaram pela formação tradicional, mas todos tiveram conhecimentos que chamamos de habilidades sociais. Conhecimentos não ensinados nas graduações. Quando buscamos uma graduação, por exemplos, entendemos que ao sairmos de lá teremos aprendido o necessário para atuarmos na área. Porém o que nos é ensinado são os conhecimentos básicos e técnicos da área, não as competências para ser um profissional da área. Por exemplo, temos vários trabalhos em grupo na graduação, porém de fato, não aprendemos trabalhar em equipe. Nos é solicitado apresentar seminários, porém nossa comunicação nem sempre é eficaz, então de fato, não desenvolvemos estas competências na universidade.

Na metamorfose da sociedade atual, percebemos que não podemos ficar parados, que é preciso buscar cada vez mais conhecimentos, habilidades, competências, experiências e assim, desenvolvermos um número cada vez maior de competências. Mas você já se perguntou qual o sentido disso para sua vida? Para a carreira que você está almejando?

Estamos em um momento da história em que o acesso à educação superior está se tornando mais facilitado, assim, observamos mais pessoas ingressando no ensino superior tradicional. Observamos também um número crescente de pessoas formadas e não atuantes de sua área de formação. O que isso tem a nos dizer?

Simples, que ter um diploma, um canudo, não significa mais “um diferencial” como era nos tempos passados, hoje, ter uma graduação e até uma pós-graduação, dependendo da área em que você busca atuar, infelizmente ou felizmente, não terá um grande impacto. Isso se justifica pelo fato que, o conhecimento que é passado / exposto nas aulas de uma formação tradicional nem sempre estão alinhadas ao conhecimento exigido no mundo do trabalho, entende-se aqui, tanto para quem quer trabalhar em uma empresa, quanto quem quer empreender seu próprio negócio. E isso faz com que as pessoas ao terminarem uma graduação sintam-se perdidas e sem conhecimento necessário para iniciar sua vida profissional na área de formação. Há ainda os que não concluem a graduação e buscam fora das salas de aula os conhecimentos e experiências exigidas “aqui fora”.

No gráfico abaixo podemos observar com mais clareza que o que ocorre aqui no Brasil, ocorre também nos demais países.

 

Tá, então tu quer dizer que eu não devo fazer uma faculdade?

Não, de forma alguma, o que iremos discutir nessa roda de conversa é justamente que, você precisar definir o que você busca numa formação, pois se você quer ser médico, você precisa da graduação em medicina, mas se você quer atuar com qualidade de vida e saúde, não necessariamente você precisa. Então você precisará buscar outros conhecimentos e experiências que te capacitem para atuar na área almejada.

Ter um diploma, atualmente, não diz mais nada. Você precisa mostrar a que veio, o que você quer e como vai tornar realidade. E isso um diploma não faz por você.

Queremos ouvir o que você tem a dizer sobre este tema e juntos conversaremos sobre quais são as nossas possibilidades diante deste novo cenário que se apresenta, entender se o foco de carreira está atrelado ao ensino superior tradicional, agir na tomada de decisão para ter o futuro em suas mãos e não nas mãos do mercado 😉

 


Por – Priscila Casagrande e Analucia Campos.

Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo

 

Já ouviu dizer que aves da mesma plumagem voam juntos ou algo semelhante?
Pois então, isso tem relação com o que Jack Canfield prega de que:

“Você é o resultado das 5 pessoas que mais convive”

Quantas vezes não chegamos com aquela ideia totalmente revolucionária, que tínhamos certeza que seria a coisa mais legal da vida, e um amigo nos joga pra baixo? Faz você ficar com medo de tomar determinada decisão? Zombam de você quando conta que vai começar a correr na segunda-feira ou se matricular na academia e no fim você mesmo até desiste!

Ou outras vezes, você conta para aquele seu amigo que precisava perder uns quilinhos e recebe uma bela ajuda para mudar para seguir adiante?

Somos diretamente influenciados pelas opiniões, pontos de vistas e atitudes de quem convivemos e escolhemos conviver. E obviamente, quanto mais próximos, maior a influência.

Você pode começar escolhendo as pessoas que vão te influenciar ou seja ,as pessoas que vão passar a maior parte do tempo com você.Agora você deve fazer suas escolhas .Vai querer ser igual a elas na vida profissional ? Familiar ? Ou vai querer fazer melhor ?

Escolha quem você quer ser e procure andar com as pessoas que possuem conteúdo para que seja possível absorver conhecimentos e traçar caminhos em comum. Esteja sempre disposto a aprender mais e aprender com quem já chegou onde você almeja!


Marcela Eduarda, coach especializada em comportamento feminino, irá abordar esse e mais temas a respeito do empoderamento da mulher nos dias 1, 2 e 3 de Julho, aqui na isCool.

 

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