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Ensino, logo aprendo. Compartilhe o que você sabe, mesmo não sendo um especialista

Uma vez me perguntaram se o modelo de educação que a isCool promove tem de fato algum valor. Primeiramente eu fiquei um pouco assustado porque, acima de tudo, eu não sou pedagogo e isso me limita um pouco para responder esses tipos de questionamentos mais técnicos ou setoriais.

Mas ao mesmo tempo, percebo que a resposta para essa pergunta pode ser feita de várias maneiras, todas justificando os desafios que o modelo proporciona ao mesmo tempo enfatizando sobre os benefícios que ele promove para os outros.

Resumindo, é o seguinte: sim, eu aposto nesse modelo! Eu simplesmente acredito que a educação ela pode ser muito mais simples e direta comparada ao modelo tradicional que temos desde a infância. E entendendo essa lógica, uma forma de permitir que a educação vire algo mais acessível para as pessoas e descentralizar a responsabilidade de alguns agentes sociais importantes na sociedade (professores e políticos, por exemplo) e emponderar pessoas comuns e dizer que elas, também, tem esse dever de compartilhar conhecimentos com outras pessoas.

Ou seja: não é só um professor ou um político que são responsáveis por um país melhor por meio da educação. Nós, como cidadãos, também temos esse dever e nada mais justo do que assumir essa bronca com eles.

E quando você vê uma ‘pessoa normal’ assumindo o papel de um professor em frente a uma turma de 20 ou 30 pessoas, é porque você entende que a educação simples e acessível é muito possível de realizar.

Assim, reforço a minha crença que sim, o modelo da isCool faz muito sentido. Pelo menos para mim.

Mas se eu não sou um especialista, por que eu deveria ensinar alguém?

Primeiro, você não precisa ser um especialista para compartilhar seus conhecimentos com alguém. Até porque, se pararmos para pensar nessa lógica, há muitos especialistas dentro de uma Universidade e ainda assim, esses ambientes não são perfeitos. Seja pela didática mal feita, pelo salário mal pago ou pela estrutura precária, o fato do professor ser especialista não garante nada – por mais que possa ajudar bastante.

Assim, toda vez que alguém vem compartilhar algum conhecimento com a isCool, a gente fala o seguinte: “cara, não importa o que você sabe e o quanto isso pode ser importante para alguém, uma vez que você tem sangue no olho e vontade de impactar as pessoas, nosso papel é fazer isso acontecer. Não julgamos conhecimento, mas trabalhos a força de vontade.” Tá, ok. Não é exatamente nessas palavras, mas essa é a mensagem.

Uma sugestão bem interessante para quebrar essa pira é entender o que Sean McCabe, um letrista e designer tipográfico que construiu uma comunidade de milhares de pessoas, disse uma vez:

“Não se precisa ter uma audiência para ensinar, e nem se precisa ser um especialista. Se constroi uma audiência e se é visto como um especialista AO ensinar.”

— Sean McCabe, (@seanwes) 9 de junho de 2014

O cara que cria sua audiência desenvolvendo experiências de educação se torna uma referência mais rápido do que aquele que espera a excelência como um ponta pé inicial. Ora, eu mesmo já realizei 5 workshops pela isCool (e to montando outro) para falar de empreendedorismo e o máximo de empreendedorismo que eu cheguei foi presidir uma ONG na minha cidade até criar a isCool de fato.

Ou seja, eu não precisei ter um status de grande sucesso para ajudar outras pessoas. Eu entendi que o meu conhecimento poderia ajudar pessoas que ainda estavam aprendendo sobre empreender e montei uma apresentação para ela. Logo, fui me tornando uma referência para elas e as coisas foram tomando proporções maiores – inclusive surgindo convites para palestras e TEDx. Do caralho!

Não há problema em não saber todas as respostas, e tudo bem cometer erros. Ao vermos o processo sob a perspectiva de “compartilhar o que se sabe” isso abre o espaço para que nos sintamos confortáveis para errar, mudar de opinião e compartilhar o conhecimento no contexto da própria experiência. Não torna o processo em nada menos valioso para os “alunos”, mas pode ser mais fácil começar encarando assim.

Ensino, logo Aprendo

Meu, frase baita clichê, e não sei o que. Mas cara, faz todo o sentido. E faz ainda mais sentido quando a gente coloca essa frase em baixo da nossa logo. Genial! Essa ideia faz a gente acreditar ainda mais no que fazemos e não é só a gente que pensa assim.

Essa pesquisa mostrou que quando explicamos algo, entendemos melhor nós mesmos. O processo de ensinar ajuda a reconhecer falhas em nossa própria compreensão e a organizar melhor a informação em nossas mentes.

Também assimilamos melhor as informações novas quando estamos cientes de que as estaremos ensinando no futuro. Isso parece ocorrer por que é uma forma diferente de focar o material de aprendizado. Sabemos que precisamos prestar atenção aos pontos mais importantes e organizá-los em nossas mentes quando precisamos ensinar aquilo a alguém.

Na isCool, acreditamos que você aprende ensinando tanto quanto quem apenas aprende. E isso é o nosso maior propósito. A partir do momento que você está exposto a um desenvolvimento a partir do seu próprio conhecimento, chegou a hora de colocar tudo isso para fora!

E não precisa ser somente com a gente não, fica frio. Explore outras perspectivas. Mesmo que você tenha uma audiência de zero pessoas, comece o blog, o podcast ou a criar vídeos para compartilhar os conhecimentos que você está aprendendo. Você colherá os benefícios em seu próprio processo de aprendizado, não importa se você já está ajudando os outros ou não.

E por fim, ensinar te faz virar uma referência de acordo com a audiência que você constrói além da dedicação que você deposita nos conteúdos que você desenvolve. O reflexo pode ser imenso, inclusive na sua marca comercial.

Quando você cria conteúdo útil em termos práticos, isso o ajuda a consolidar uma audiência melhor do que qualquer outro tipo de conteúdo.

Como James Clear já apontou, pessoas bem sucedidas começam antes de se sentir prontas. Ensinar não é exceção.

Não se preocupe com ter atingido o status de “especialista”, ou com o tamanho de sua plateia. Coloque o foco no que já aprendeu, e no que está aprendendo agora, e em como seria possível compartilhar essas lições de forma a ajudar os outros. Pode ser útil imaginar que se está ensinando a si mesmo no passado, antes de se ter aprendido tudo isso.

Comece a compartilhar o que sabe. E não esqueça que sempre há alguém que sabe menos que você. Vá ajudá-los. Conhecimento só tem valor se for compartilhado.

O resto é resto.

Rodrigo Oneda Pacheco
Diretor de Mim Mesmo na isCool

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