5 coisas que aprendemos com empreendedorismo criativo na isCool

Empreender é praticamente um MBA da vida real. Você tem muito mais que provas e trabalhos acadêmicos para entregar; você precisará assinar todas as chamadas possíveis que a vida for te exigir; diálogos e interações com a sua turma e colegas precisarão ser diários e as suas notas terão que ser as melhores possíveis pois os seus ‘professores’ são seus clientes e você não quer decepcioná-los tão cedo.

Sem mencionar que as chances de você perder o chão e deixar tudo morrer são grandes em função do risco que você está correndo.

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Mas porque isso tudo ainda é tão divertido? Na minha visão, é pelo fato de você criar uma curva de aprendizagem muito maior comparado a qualquer outro processo mais acadêmico. E o que torna tudo isso ainda mais interessante é que essa curva é mais responsabilidade sua do que qualquer outra pessoa quando você empreende.

E toda essa curvatura da sua aprendizagem está diretamente relacionada ao modo que você se expõem e se desafia diariamente com o seu negócio. Se você fizer sempre a mesma coisa, seus movimentos serão padronizados, repetíveis e isso não garantirá grandes evoluções para você e a sua empresa. Mas se você buscar o ‘diferente’ o tempo todo, a cada nova entrega será um aprendizado novo e isso contará mais do que qualquer pró-labore no final do mês.

A consequência de toda essa aprendizagem é a possibilidade de entregar valor para o seu público final. Como empreendedor, não basta ter uma ideia bonita, é preciso fazê-la acontecer e ponto.

Entre idas e vindas, o empreendedorismo virou uma alternativa e desenvolvê-lo com poucos recursos me exigiu muita criatividade. E aí que tudo começou a ficar divertido.

E o que isso tem a ver com a isCool?

Tudo, pois se você não se expõe e aprende diariamente com algum tipo de projeto que você se envolve, então você esta parado no tempo e isso é jogar seus minutos de vida no lixo – o que, cá entre nós, não faz sentido.

No início, conectei minhas veias empreendedoras para funcionar, organizei todas as skills que ganhei me envolvendo com associativismo, terceiro setor, movimento estudantil e voluntariado para buscar algum tipo de problema para resolver e iniciar, de fato, um novo business.

O que eu encontrei? Foi algo muito óbvio porém que eu não estava enxergando direito: o sistema educacional que temos hoje possui muitas oportunidades de melhorias.

Foi aí que eu comecei a me perguntar:

  • Mas como eu poderia trabalhar com essas habilidades em algo que eu tinha pouca experiência?
  • Como eu poderia construir uma escola ou algum tipo de negócio ligado à educação sem ter dinheiro para isso?
  • O que as pessoas estavam realmente precisando que justificasse a criação de uma nova empresa para ajudá-las na capacitação e no desenvolvimento dos seus próprios conhecimentos?

Tentando responder a essas perguntas, vi que as coisas começaram a ficar divertidas e muitos aprendizados foram sendo desenvolvidos. Entre leituras, livros, palestras, workshops, vídeos, networking e muita coragem, veio a possibilidade de iniciar essa jornada que já resultou em mais de 4000 pessoas impactadas pelas atividades da isCool desde então.

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Convite para você: Workshop – Por que a sua ideia é boa? Com Rodrigo Pacheco.

A isCool nasceu em Maio de 2015 e está até hoje. Diferentemente do que era no início, mas sobrevivendo até então com muita dedicação e esforço para fazê-la uma possibilidade de desenvolvimento para outras pessoas.

E olhando para trás, é possível enxergar que essa caminhada me permitiu desenvolver alguns aprendizados que um MBA em si dificilmente faria por mim.

Assim, considerando todo este cenário, resolvi elencar quais foram os 5 maiores aprendizados ligados ao empreendedorismo criativo que tive (até agora) que fazem da isCool ser uma realidade dia após dia.

1) Recursos escassos são fontes de criatividade.

Esse foi o principal aprendizado para mim até agora e por isso me permiti escrever um pouco mais neste tópico, mas espero que você possa ler até o final.

No início, você tem pouco dinheiro para arriscar e dependendo do seu perfil, você utiliza tudo o que tem de grana logo de cara, assumindo o alto risco do negócio.

Como eu não tinha muito investimento financeiro para fazer no início da isCool, eu precisava pensar sobre o que eu poderia entregar por meio da educação diante dos problemas que eu estava identificando.

Foi aí que eu elenquei alguns probleminhas que eu vi e que poderíamos explorar na época:

  • A educação é muito burocrática e centralizada;
  • A estrutura fixa de uma universidade é limitadora para quem não tem recursos financeiros para acessar;
  • Os professores nem sempre estão atualizados;
  • Grande parte das aulas nas universidades são desestimulantes;
  • Muitos alunos têm dificuldade para se dedicar aos estudos;
  • Muitos conteúdos não estão ligados às realidades desses alunos;

Beleza, só nesses pontos acima já dá para imaginar o tamanho do trabalho que eu teria pela frente. Logo, coloquei minhas veias empreendedoras para raciocinar com os poucos recursos que eu tinha.

Assim, precisei responder essas perguntas transformando essas dificuldades em oportunidades de negócios:

  • Como eu posso fazer da educação algo mais simples e acessível para as pessoas?
  • Que tipo de ambiente poderia ser uma sala de aula?
  • Por que os professores são os únicos responsáveis pela educação nas nossas comunidades?
  • Como permitir que alunos se sintam mais conectados com os conteúdos nas salas de aula?

Por fim, percebi que o problema era ainda maior: como eu vou construir uma escola e contratar professores para fazer tudo isso sem ter dinheiro no bolso? Foi aí que a ficha caiu e as respostas ligadas ao empreendedorismo criativo começaram a sair da minha cabeça.

Soluções:

  • Vamos realizar atividades pagas e gratuitas para a galera;
  • Vamos usar as pessoas comuns (profissionais da comunidade e não profissionais educadores) para ensinar;
  • Vamos usar espaços ociosos da cidade para realizar esses encontros;
  • Vamos construir atividades que sejam ligadas às realidades dos alunos;
Primeira atividade da isCool.

Primeira atividade da isCool em um escritório de arquitetura com o Caio Morastoni falando sobre artes plásticas e autoconhecimento.

Pronto, nasceu a isCool. Já realizamos atividades com analistas, professores da rede pública, professores universitários, alunos que já fizeram palestras, economistas que viajaram pelo Brasil, engenheira que falou sobre mochilão e até eu já montei workshop sobre empreendedorismo.

Esses encontros foram realizados em auditórios tradicionais, escritórios de arquitetura, terraços de prédios residenciais, bares e cafés além de, claro, salas de aula tradicionais.

E os assuntos? Vários: Kabbalah, yôga, empreendedorismo, viagem, comportamento, contabilidade, jurídico, startup, design, arquitetura, storytelling, branding, marketing digital, big data, futurismo, etc.

Enquanto eu não me prendia aos recursos escassos da época, eu conseguia enxergar alternativas para tirar o meu modelo do papel e fazer a coisa acontecer.

Portanto, antes de considerar a sua ideia algo impossível, imagine as possibilidades que você poderá encontrar entregando o máximo de valor possível com o mínimo de recurso viável para que a sua ideia possa ser validada.

A partir da validação, evolua, meça os resultados, aprenda e continue em frente.

2) Uma marca precisa ter personalidade.

Esse é o aprendizado número dois e que é uma das premissas mais básicas de quem quer empreender. Porém, não é algo muito fácil de construir tampouco quando seus conhecimentos sobre ‘naming’ ou gestão de marcas são limitados.

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Convite para você: Workshop – Empreendedorismo para Criativos, com Ariel Tomazini.

O nome da isCool nasceu por acaso. Entre 2008 e 2011, eu gostava de escrever em blogs quando estava estudando Ciências Econômicas na Universidade. Era uma forma de eu estudar assuntos que os meus amigos não queriam discutir comigo, mas também estava conectado a minha facilidade em escrever. Além disso, o meu interesse por marketing digital começou a nascer também e entender sobre o mundo dos blogs/redes sociais também foi fundamental para tudo isso fazer ainda mais sentido.

O nome do blog era Like is Cool, uma alusão ao movimento de redes sociais que estava crescendo bastante na época e que também era um movimento econômico de destaque.

Logo, foi justamente desse nome que a isCool nasceu. Bizarro, né?

Pois bem, com o tempo eu percebi que isCool era um nome que estava transmitindo muito mais coisa do que algo ‘legal’. Estávamos transmitindo uma mensagem de alguma coisa diferente, informal, provocativa, divertida, fora da curva e que tinha valor para as pessoas. Esses elementos estão conectados e são reforçados até hoje.

Desde a forma que a gente escreve, nos eventos que participamos, nas reuniões que estamos envolvidos e até na forma como a gente desenvolve nossas identidades visuais.

Tudo precisa transparecer uma personalidade ‘descolada’ pois no mundo da educação, o mais do mesmo é ter um diferencial.

Portanto, ao criar um nome bacana para o seu projeto, pense na personalidade que ele irá passar e permita que essa personalidade seja o que os seus clientes esperam de você.

3) Não tenha medo de lançar coisas novas. Mas saiba como aprender com elas.

Esse aqui é foda. Lançar novos produtos na isCool, com novas equipes envolvidas e novos objetivos para entregar é algo que fazemos quase todos os semestres.

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Dia 13 e 14 de Setembro – Workshop sobre Business Model Canvas, com Rodrigo Pacheco.

Sempre há algo novo rolando por aqui e isso é muito legal. Legal porque te permite se reinventar e testar o seu modelo sem que ele se perca da sua essência. As pessoas mantêm os olhos na sua empresa enquanto consomem seus conteúdos e você se diferencia no mercado buscando sempre alternativas para crescer.

Porém, lançar produtos e projetos aleatoriamente tem seu custo e as consequências poderão ser perigosas. Antes de iniciar uma nova jornada de um produto ou serviço, saiba bem a jornada que ele terá e condicione as métricas que você utilizará para avaliar o seu desempenho.

Considere o máximo de variáveis possível na avaliação e execução da sua ideia. Aqui vão algumas:

  • Ticket médio;
  • Custo por aquisição;
  • Ciclo de venda;
  • Tempo de vida do cliente;
  • Recursos-chaves;
  • Proposta de valor;

Com essas e outras informações na validação do seu negócio, determine uma disciplina regular para avaliar o que está sendo visto no mercado e garanta a sua entrega.

Desde 2015, a isCool já lançou mais de 15 produtos diferentes de educação. Hoje temos 6 em execução e que poderão se tornar 10 no ano que vem mas também poderemos reduzir a 3 logo for o caso. Se tudo isso for resultado de uma aprendizagem validada, então não tenha medo de arriscar novos produtos para o seu público e também não tenha medo de eliminar aquele produto que não está dando certo.

4) Dinheiro é importante – mas não é tudo.

Aqui é um ponto muito delicado.

Primeiro porque, quando você empreende, nem sempre as coisas estão claras e são simples de entender para todos que estão ao seu redor. Muitos perguntam, logo de cara, se o que você vai empreender dá dinheiro e se vale a pena o esforço dedicado comparado a outras opções de receita, como um emprego ‘normal’ e/ou até outro tipo de investimento, como uma renda fixa de um banco ou até ações e títulos mobiliários.

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Vamos falar de finanças? Workshop sobre contabilidade no dia 21 de Setembro e Workshop sobre Gestão Financeira para Empreendedores, no dia 26 de Setembro.

A questão importante nesse item que identificamos é saber trabalhar em algo que te motive e que possa fazer a diferença tanto na sua vida quanto na vida dos outros.

Desde o início desta trajetória empreendedora na isCool, conhecemos muita gente diferente, com backgrounds e realizações diversificadas, que nos fizeram acreditar ainda mais nas diferenças e nos potenciais das pessoas. E isso é muito massa!

E é justamente isso que deixa tudo divertido na isCool: você poder conhecer várias pessoas diferentes, com problemas e soluções diferentes e que ainda poderão te encher de novas ideias e possibilidades de criar coisas legais para oferecer no mercado.

Sair do nosso modelo mental é essencial para saber as visões das outras pessoas e construir com elas. O resultado de tudo isso vai resultar em retornos financeiros, mais cedo ou mais tarde.

Assim, se o seu produto/serviço te motiva a aprender e se desenvolver a cada dia, então a sua motivação vai além do retorno financeiro.

Sabemos que nem sempre (nem sempre mesmo!) ganhar dinheiro significa que você está indo bem com o seu negócio, porém não entenda isso como o jeito de justificar o fato de que o seu produto/serviço é ruim e fazer desse discurso uma desculpa.

“Ah cara, não é que o meu produto é ruim ou que o meu público-alvo não tá bem definido, é que nós sabemos que o dinheiro não é prioridade e preferimos aprender com a jornada.”

Lembre-se de uma coisa: nem sempre aquilo que te motiva poderá servir para alguém em forma de produto ou serviço. Não se apaixone tão rápido pelas suas ideias antes de saber se elas realmente fazem sentido para as pessoas.

5) Crie, valide, aprenda e refaça o mais rápido possível.

Esse ponto tá diretamente ligado ao processo de validação da sua ideia e como você pode tirar proveito dessa agilidade para não perder muito o seu tempo e dinheiro.

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Workshop sobre Validação de Ideias, com Amanda Brandão – 04 de Outubro, em Blumenau.

A partir do momento que você tem uma ideia que poderá virar um novo negócio, pergunte se essa ideia faz sentido para as pessoas. O jeito mais rápido de fazer isso é entender qual é o problema que essa ideia está querendo resolver.

Uma vez que você tem um problema para resolver, pergunte para as pessoas (especialistas ou outros perfis que estão ligados a sua ideia) se o problema é real e se faz sentido investir na solução deste problema. Provavelmente, nesta etapa, você passará por um processo de aprendizado riquíssimo pois você encontrará nas respostas destas pessoas alguns insights que até então não eram tão visíveis para você.

A partir desses insights, o passo agora é entender as hipóteses relacionadas ao problema. Você pode identificar todos os pontos de melhorias que você colheu e transformá-los em oportunidades. Vou usar um exemplo de um aplicativo mobile que criei com uma equipe no Startup Weekend de Blumenau focado na relação entre pais e filhos (você pode ver mais sobre o aplicativo aqui):

  • “Eu acredito que os pais poderiam passar mais tempo com os filhos, porém temos uma rotina muito puxada atualmente. Talvez se fizéssemos desse tempo que temos com os filhos um período mais produtivo, poderíamos tirar mais proveito dessa relação”.
    • Ponto um: pais sem tempo e com rotina pesada.
    • Ponto dois: eles querem ter mais tempo com os filhos.
    • Ponto três; eles querem ter mais eficiência com o tempo que eles têm com os filhos.

Aqui, temos que transformar essas dores em oportunidades e fazer dessas oportunidades, recursos que poderiam se encaixar no nosso novo produto e/ou serviço.

Assim, basta provocar o raciocínio do “como poderíamos…” e extrair os melhores insights possíveis.

  • Como poderíamos criar mais tempo para os pais?
  • Como poderíamos criar uma rotina mais leve para os pais?
  • Como poderíamos gerar mais tempo entre pais e filhos?
  • Como poderíamos fazer o tempo entre pais e filhos mais produtivos/eficientes?;

Daqui em diante é bolar o maior número de perguntas possível e elencar as principais para responder. E uma vez que você tenha as perguntas mais conectadas com o problema e sua ideia, é hora de cair na estrada e validar com o público-alvo.

A partir das respostas, basta fazer uma análise e identificar os padrões das respostas. Com esses padrões, você chegará em um modelo que permitirá ser respondido por meio de um produto ou serviço da sua empresa.

Pronto. Agora é jogar o protótipo no mercado e ver a reação do público-alvo. E é aqui que entra o aprendizado. Se, depois de tudo isso, você percebeu que o seu protótipo não foi bem aceito, provavelmente você não montou e/ou não analisou suas variáveis da forma mais correta possível.

Basta trazer ele para casa novamente e reavaliar cada um dos pontos que você aplicou. A partir desta analise, o próximo passo é corrigir e retornar para o mercado para uma nova validação.

Quando mais rápido e eficiente for esse processo, menos tempo e dinheiro você gastará com algo que não faz sentido.

Bom, é isso.

Textão na cabeça, tentei estruturar ele da forma mais leve e organizada possível. Espero que tenha sido positivo para você e se você está lendo essa frase, fico feliz que chegou até o final.

Se você quiser compartilhar os seus conhecimentos sobre empreendedorismo criativo e como isso pode estar relacionado ao seu business, manda para nós que a gente compartilha aqui no blog da isCool também. Será um prazer ouvir/ler sua história =)

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Rodrigo Oneda Pacheco
Fundador e Diretor na isCool