Rodrigo Schilling, isCool e Marcos Piangers falando sobre empreendedorismo, educação e criatividade em Blumenau

O encontro foi uma das edições que aconteceu simultaneamente em todo o estado.

No último dia 16 de Setembro, aconteceu o Workshop Conexão Jovem 2017, um evento promovido pelo SESI/FIESC em Blumenau e em outras cidades em Santa Catarina. O evento foi uma ação simultânea em outras 15 cidades que registrou 3.752 inscrições, sendo 2017 o ano com mais inscrições da história do evento. Em Blumenau, o evento foi realizado no Espaço Educação Maker, no Complexo do SESI, com três palestras:

  • Rodrigo Schilling, falando sobre empreendedorismo e inovação.
  • Rodrigo Pacheco, falando sobre educação.
  • Marcos Piangers, falando sobre criatividade.

A organização do evento tem um grupo oficinal do Facebook e você pode acompanhar as atualizações de tudo o que ocorreu lá dentro. Clique aqui e participe das conversas. Inclusive, no próprio grupo, você encontrará o vídeo gravado de todo o evento, incluindo as três palestras realizadas.

Fotos: Andreza Boll & Cirlene Amado

Fotos: Andreza Boll & Cirlene Amado

Conexão Jovem é uma iniciativa do Movimento Santa Cataria pela Educação, em que objetiva promover o diálogo entre jovens catarinenses em torno do tema educação para o mundo do trabalho.

Particularmente, foi uma baita oportunidade de impactar esse público no qual a isCool tanto respeita, mesmo não podendo trabalhar diretamente.

Abaixo, você poderá ler um resuminho do que eu falei lá no dia. Espero que goste!

Quantos carros cabem em uma rodovia?

É com essa pergunta que eu gosto de começar as minhas apresentações quando me convidam para falar sobre educação por aí.

E o que ela quer dizer? Para mim, ela é um exemplo (simples) dos desafios que o mundo adulto te exigirá, principalmente quando você sair da escola. Foi basicamente isso que eu falei lá no palco.

Essa palestra que eu pude participar, foi direcionada para alunos secundaristas das escolas aqui na nossa região, no qual é público direto do evento.

Bom, perguntas abstratas e sem tantos detalhes para serem respondidas serão cada vez mais comuns na sua vida, principalmente depois que você sair da escola.

Essa foi a minha provocação, principalmente para a galerinha que está na escola e já pensa/pensou no que enfrentará na fase adulta.

Foto: Andreza Boll & Cirlene Amado

Rodrigo Pacheco falando sobre criatividade, educação e isCool :)

Mas a dificuldade de você saber qual carreira seguir e/ou qual curso universitário escolher depois que o período escolar acabar, é uma das mais injustas responsabilidades que um gurizão novo ‘precisa’ ter quando sair da escola.

E mesmo que os pais e mães dessa galera estejam 100% bem intencionados ao pressionar o adolescente a escolher a profissão que deseja depois da escola, eu acredito que essa exigência não seja o ideal nessa fase de vida.

Não vou entrar nos méritos dessa questão, mas o que eu quis levantar na apresentação foi: não importa o que você fará depois da escola, você poderá se preparar agora mesmo para encarar a fase adulta com muito mais preparo sem sequer escolher uma profissão de fato.

Como? Gerando mais representações e buscando iniciativas dentro da própria escola para criar mobilizações por melhorias, por exemplo.

Ou qualquer outra iniciativa que possa melhorar a comunidade como um todo.

No fim, a ideia é simples: pequenas ações sendo realizadas de forma criativa e colaborativa, poderão resultar em grandes mudanças locais, mesmo que ele(a) não saiba a profissão que irá seguir depois da escola.

Você já pensou mudar de escola?

Se sim, ao invés de mudar de escola, você já considerou mudar a escola em si?

Muitos dos comportamentos que você precisará desenvolver (ou já ter desenvolvido) na fase adulta estão diretamente ligados a sua pró-atividade, resiliência, inteligência emocional e etc. E como você desenvolve essas capacidade? Se envolvendo com ações dentro da escola, por exemplo.

Falar que a aula de geografia é chata, é fácil. Que faltam bolas para a aula de educação física, também. Mas se organizar na sala aula para ir até a Diretoria e lutar por uma mudança, poucos alunos pensam em fazer. E eu não culpo eles, até porque, essa mentalidade acomodada vem de vários cantos – de casa, da escola, dos amigos, da TV, da novela, etc.

Problemas, todo mundo têm. Na infância, não é diferente. Na escola, menos ainda. Só que, muitos desses problemas, poderão ser amenizados – e até resolvidos – com a união dos próprios estudantes ao invés de apenas apontar o dedo e julgar o que está de errado.

Se na escola em si, esse comportamento não for desenvolvido, na fase adulta, com problemas e desafios ainda maiores, será ainda pior.

Mais ação, menos #mimimi.

Sei que cada problema tem uma proporção diferente. Cada problema dentro de uma escola, principalmente nas escolas públicas, tem uma gravidade muito intensa. Longe de mim querer julgar os contextos sociais de cada aluno e professor.

Inclusive, sei de muitos alunos e professores que passam por vários problemas na comunidade e que não conseguem deixar de lado quando entram numa sala de aula.

A questão é: para muitos outros problemas, sejam os mais estruturais, comportamentais e até didáticos, a resolução destes problemas pode ser muito mais possível do que esses alunos imaginam.

Atenção: eu disse possível. E não que são fáceis.

Eu cito nessa palestra a situação do Geovani Gonçalves da Silva, de 16 anos, do interior de São Paulo. Ele arrecadava alimentos para distribuir na sua própria comunidade utilizando recursos básicos para promover a mobilização entre os seus colegas.

Ou o caso dos alunos de Mogi das Cruzes/SP, que querem ir para a Espanha falar das suas iniciativas realizadas dentro da escola por meio de um convite dos gringos que se surpreenderam com as ações desses estudantes nas suas escolas. Usando uma plataforma de financiamento coletivo, foram atrás dos recursos para poderem ir viajar.

Usando o que os alunos têm – Facebook, Whatsapp, internet, etc. – sendo criativos e colaborando uns com os outros, eles poderão desenvolver as habilidades e os comportamentos que ajudarão eles a enfrentar diferentes problemas na fase adulta de uma forma bem mais eficiente.

São comportamentos que não dependem necessariamente de uma nota boa na prova ou de um certificado de uma universidade.

Um baita exemplo é o próprio time que organizou esse evento, o Time dos 7. 7 pessoas incríveis, incluindo 5 alunos de escolas públicas da cidade, trabalhando voluntariamente e incrivelmente bem para entregar esse vento para mais de 200 pessoas no último sábado.

Foto: Andreza Boll & Cirlene Amado

Foto: Andreza Boll & Cirlene Amado

Produção vs Reprodução

“O que vocês acham que as escolas mais fazem hoje em dia?”, eu perguntei para o público na palestra. Muitos responderam: “Reprodução”.

E é isso que precisamos mudar. Menos alunos que reproduzem o que já existe para mais alunos que buscam o protagonismo, a produção, a realização e tudo que poderá fazê-los adultos incríveis quando eles saírem da escola.

Precisamos realizar mais. Sair da cadeira e puxar a responsa para nós, encarando os desafios e os problemas que temos na nossa escola e buscando ajudar da maneira como podemos.

Assim, podemos fazer da educação algo tão centralizado virar uma ferramenta mais descentralizada de poder.

Eu falo isso tudo porque eu acredito muito que, entre outras coisas, todo mundo tem algo para compartilhar. É por isso que a isCool existe.

E por que no fim, amigos, a criatividade e a colaboração também podem ser uma saída, mesmo com todos os perrengues que enfrentamos todos os dias.

Inclusive para eles, adolescentes, nas escolas aqui da região.

Rodrigo Oneda Pacheco – Fundador e Diretor na isCool