Professores e a Ciência da Educação Efetiva

O que a ciência fala sobre a difícil arte de saber ensinar as pessoas.

Esse texto foi traduzido livremente do canal no Youtube Sprouts que aborda conteúdos sobre educação. Você pode assistir aos vídeos aqui.

Benjamin Franklin um dia disse:

  • “Me conte e eu esquecerei. Me ensine e eu lembrarei. Me envolva e eu aprenderei.”

Mas o que de fato nós aprendemos sobre educação efetiva depois de tantos anos dessa citação?

Fonte: Teachers & The Science of Effective Education

Fonte: Teachers & The Science of Effective Education

Muitos economistas e educadores respeitados de várias partes do mundo lideram pesquisas universitárias para responder essa pergunta. Eles têm descoberto muitas coisas que não importam tanto, como o tamanho da sala de aula, novas tecnologias ou uniformes mais bonitinhos.

As evidências deles sugerem que o segredo por trás do sucesso dos estudantes são os professores. E aqui está o que eles aprenderam nas pesquisas.

Habilidade complexa

Primeiramente, precisamos reconhecer que saber ensinar algo à alguém é uma habilidade altamente complexa. Ensinar alguém envolve várias coisas, como um entendimento profundo em entender o assunto que se propõe a ensinar além da habilidade de saber explicar assuntos difíceis de uma forma simplificada.

Ao mesmo tempo, requer um entendimento de psicologia, pedagogia assim como uma série de habilidades de gestão para manter os estudantes concentrados e, acima de tudo, excitados com o conteúdo.

Rob Coe, Professor na Universidade de Durham, afirma que muitos dos métodos utilizados atualmente não funcionam. Por exemplo: ter grupos de acordo com suas habilidades, elogiá-los sem merecimento ou a ideia de que os estudantes podem descobrir problemas complexos por eles mesmos.

Sprout - YoutubeAo invés disso, instrutores com ótimas experiências têm altas expectativas e sempre irão otimizar o tempo gasto nas suas aulas em prol de seus alunos.

Mas o mais importante disso tudo é que eles irão combinar uma alta qualidade na instrução dos seus conteúdos com conhecimentos ligados a conteúdos pedagógicos também.

Ou seja, eles não ensinam somente sobre o assunto em si, eles ensinam os estudantes a aprender por conta própria.

Pensando no melhor, nós temos que treinar nossos professores como neurocirurgiões pois o que eles fazem é operar cérebros humanos.

Assim como aspirantes a médicos, eles serão melhores treinados nos seus campos de atuação recebendo feedbacks sobre os seus próprios erros. Sendo assim, boas escolas capacitam seus professores como um ofício de fato, uma responsabilidade da escola ao invés de tratar o ato de ensinar como uma ciência abstrata.

É o que faz a Sposato School of Education, que fornece cursos de graduação e são reconhecidos por formar efetivos professores considerando a tutoria e o direcionamento assistido como seus principais investimento no “iniciante” a educador.

Já os professores que já estão atuando em salas de aula, precisam de feedbacks constantemente sobre a sua atuação profissional na escola. Um vasto estudo conduzido por Rolando Fryer, da Universidade de Harvard, descobriu que professores que recebem instruções junto com feedbacks regulares de um determinado mentor, terão melhores resultados em sala de aula além de estarem mais preparados.

Uma outra boa ideia para capacitar professores é perguntar aos alunos sobre a sua atuação ou até gravar suas próprias aulas em vídeo para assistir em outros momentos e corrigir a sua atuação.

Doug Lemov, fundador da UnCommon Schools and autor do livro Teach Like a Champion (tradução livre: Ensine como um Campeão), identificou vários métodos que grandes professores utilizam atualmente: eles cumprimentam cada estudante na entrada da sala para que todos possam se sentir bem-vindos e reconhecidos pelos próprios alunos. Em seguida, eles usam um tom de voz mais reforçado e não param de falar até ter a atenção de todo mundo na sala.

Assim, eles ensinam buscando a excelência para garantir que os alunos alcancem 100% de eficiência em suas aulas antes de prosseguirem nas disciplinas. Mas, o mais importante, bons professores deixam seus alunos engajados e mantenham suas atenções por meio de boas histórias e atividades que possam mantê-los fixos nas aulas e expandirem suas imaginações.

Veja um pouco do que é feito na Uncommon School:

Um estudo publicado pela Universidade de Stanford, em 2009, mostrou que liderança também faz uma grande diferença. Nas escolas de baixa performance, os diretores sequer aparecem nas salas de aula, gastando muito mais o seu tempo na administração da escola, lidando com documentos e outros assuntos burocráticos do que tendo algum contato com os alunos.

Por outro lado, escolas que possuem diretores e suas lideranças atuando diretamente com os alunos em sala regularmente, supervisionando e desenvolvendo professores o tempo todo, têm estudantes ainda melhores. Professor e diretorias da própria escola juntos, conseguem fazer uma grande diferença na vida dos alunos.

O economista Raj Chetty e seu time, analisaram mais 2.5 milhões de dados de estudantes americanos e cerca de 18 milhões de resultados de provas.  Ele acredita que instrutores que são bons nas preparações para os testes nacionais, têm um grande impacto no futuro desses alunos. Em média, um professor que instrui alunos para as provas durante um único ano, verá seus estudantes melhorando suas notas com o tempo e na fase adulta, poderão ter um adicional de cerca de 14,000 dólares em salários (considerando valores de 2011, de acordo com o estudo).

Na educação infantil, ele tem outra hipótese: ótimos professores de jardins de infância ajudam a desenvolver habilidades sociais, disciplina e caráter dos estudantes. O impacto de seus trabalhos não esta diretamente ligado as notas de provas, mas os alunos conseguem colher os frutos dessa educação no futuro, quando estes aplicam essas mesmas habilidades em suas carreiras profissionais, conseguindo bons empregos e sendo bem remunerados.

Eric Hanushek, Professor na Universidade de Stanford, mensurou o quanto um bom professor realmente importa para o aluno. Ele descobriu que ótimos professores conseguem fazer alunos estudarem 50% a mais a cada ano comparado a professores medianos. Para os professores ainda mais mal preparados, a realidade é ainda pior: cerca da metade da performance identificada nos professores medianos.

Isso significa que 10 anos na escola poderia resultar em 15 anos de aprendizado ou apenas meros 5 anos. Isso é uma grande diferença que atinge ainda mais famílias de baixa renda nas quais não conseguem ter acesso a aulas complementares ou sequer mudar para escolas melhores.

A escritora americana de romances, Gail Godwin, uma vez escreveu: “uma boa aula requer 1/4 de preparação de conteúdo e e o restante de pura atuação teatral.” Para assistir grandes atores em ação assista Michael Sandel, de Harvard, ensinando Direito, Roberto Sapolsky, de Stanford ensinando Biologia Comportamental, Walter Michel, do MIT, ensinando física ou Mr. Hester, gerindo uma sala de aula de adolescentes.

Os links de cada aula estão descritos abaixo e outros grandes instrutores estão no canal do Sprout. E se você tiver bons exemplos de professores que você teve durante toda a sua vida, compartilhe conosco também 🙂

ÓTIMOS PROFESSORES

Michael J. Sandel teaching Justice

https://www.youtube.com/watch?v=kBdfcR-8hEY

Robert Sapolsky teaching Introduction to Human Behavioral Biology

https://www.youtube.com/watch?v=NNnIGh9g6fA

Walter Lewin teaching Physics

https://www.youtube.com/watch?v=4a0FbQdH3dY

Mr. Hester Managing a Classroom

https://www.youtube.com/watch?v=geLvLd3uosk

Fonte: descrição do vídeo em inglês aqui.

Rodrigo Oneda Pacheco – Fundador e Diretor na isCool