3 lições que aprendi no Programa de Inovação da Universidade da Califórnia-Berkeley

O maior  aprendizado de uma nova ideia está no que o público tem a dizer.

Por Amanda Brandão.

2 anos, esse foi o período que, junto com outro parceiro profissional, dediquei um tempo e muita energia, apostando que as pessoas se apaixonariam e pagariam por nossa ideia. Tínhamos essa certeza, afinal havíamos conquistado um prêmio de Inovação e, com uma verba de R$60mil, poderíamos finalmente materializar a nossa ideia inicial.

>>> Anote aí: 04 de Outubro – Workshop: Validação de Ideias, com Amanda Brandão.

Logo que recebemos a verba começamos a desenvolver o produto, utilizamos boa parte do investimento construindo nossa plataforma como havíamos imaginado. Fizemos muitas  reuniões de desenvolvimento de produtos com equipe de programação e design, estávamos muito apaixonados pela possibilidade de materializar aquele sonho.

Apesar de muito da execução acabar não saindo como havíamos imaginado, sabíamos que estávamos construindo exatamente aquilo que nós queríamos.

Depois de quase 1 ano, de desenvolvimento de projeto, recebemos outra premiação, dessa vez o prêmio não era em dinheiro, ganhamos uma bolsa para participar do programa  Lean LauchPad, da Universidade da Califórnia-Berkeley com aulas em Florianópolis, baseado na metodologia de Steve Blank sobre modelagem de negócios.

O Innovation Acceleration Program me ensinou algumas lições e separei 3 delas para compartilhar com você:

1) A sua ideia provavelmente está errada.

Essa foi uma das frases que ouvi no primeiro dia do programa, o clima da aula era de tensão. Os professores americanos eram diretos e frios, não deixavam a paixão pelas ideias tomarem conta da sala.

A mensagem era clara: “You’re probably wrong”.

Quando tentávamos explicar melhor aquela paixão o que ouvíamos era: “I don’t care” (Eu não ligo). Ficou claro que os próximos meses de aula, seriam para quem aguentasse deixar o ego de lado e começar a praticar o exercício extremamente importante em um novo negócio: Ouvir o que o cliente tem a dizer.

De fato quando você começa a ouvir de verdade o que ele tem a dizer, você vai perceber que sua ideia pode não sobreviver.

2) Quando estamos apaixonados por uma ideia, criamos muitas hipóteses e esquecemos de validar se as pessoas se importam com o que temos a oferecer.

“Se eu fosse nosso cliente, eu ia querer nosso produto”, Esse é um exemplo clássico de hipótese que novos empreendedores levantam quando estão apaixonados por uma ideia. Nós não éramos diferentes, tínhamos muitas dessas hipóteses enquanto já estávamos desenvolvendo o produto (pagando e investindo muito tempo por isso).

Ilustração do livro: Talking to Humans

“Saia do prédio!”, essa é a lição chave na etapa de desenvolvimento do cliente da metodologia de Steve Blank.

Finalmente eu havia entendido a razão pela qual os professores diziam “I don’t care”, quando tentávamos explicar nossa ideia, afinal todo o nosso discurso apaixonado era apenas blá, blá, blá sem validação.

3) Buscar e ouvir verdadeiramente o seu público é um exercício de humildade que pode economizar tempo, energia e dinheiro.

Depois que listamos todas as pessoas que deveriam dizer sim ao nosso produto, fomos desafiados pelos professores a entrevistar 100 pessoas para validar e/ou invalidar nossas hipóteses. Isso parecia um absurdo!

Tínhamos tanta coisa para cuidar no desenvolvimento de produto que esse desafio parecia mais um desaforo. Era óbvio que estávamos no caminho, já tínhamos até verba para executar nossa ideia.

Como poderíamos depois de 1 ano de dedicação ao desenvolvimento de projeto, parar para fazer entrevistas?

As equipes que não conseguiam fazer entrevistas durante a semanas seguintes, eram praticamente ignoradas na sala de aula, basicamente: se você não tinha entrevistas para compartilhar em aula, para validar e/ou invalidar suas hipóteses, sua ideia não tinha valor algum.

Quando você tem apego à sua ideia, é muito doloroso se sentir ignorado, mais difícil ainda pode ser quando você começa a ouvir o seu público e perceber que as pessoas não precisam da sua ideia. Se sua ideia não é um Must Have, isso significa que ela pode até ser legal (Nice to Have), mas talvez as pessoas não paguem por isso.

E vamos combinar, você precisa vender seu negócio para outras pessoas que vão além do seu grupo de amigos e família para ao mínimo manter o negócio sustentável.

Depois de 28 entrevistas, parecia que nenhuma das pessoas precisava de fato ou pagaria pelo nosso serviço. Foi então que chegou a trigésima entrevista, dessa vez entrevistamos uma pessoa muito importante no nosso segmento, estávamos animados em ouvir o que ele tinha a dizer.

Finalmente ouvimos o que deveríamos ter ouvido antes: “O produto de vocês é um desserviço para mim”.

Uou, essa doeu no coração! Ao mesmo tempo nos despertou, estava mais do que na hora de exercitar a nossa humildade, aceitar que havíamos investido tempo e dinheiro desenvolvendo um produto que não apenas não fazia sentido para o nosso público, como era algo que ele iria desprezar.

O que fizemos então? Pivotamos e ajustamos a nossa ideia, antes que mais tempo, energia e dinheiro fossem gastos na criação de um desserviço.

Para mim o maior aprendizado de uma nova ideia, está no que o  público tem a dizer.

Amanda Brandão – Estrategista de Marcas e Consultora, facilitadora do Workshop – Validação de Ideias, da isCool.