O QUE FALAMOS NAS PALESTRAS QUE REALIZAMOS PARA ALUNOS DAS ESCOLAS PÚBLICAS DE GASPAR

O projeto foi uma iniciativa do Colégio Uni que buscou levar conteúdo e uma mensagem positiva para alunos de baixa renda do município.

Por Rodrigo Oneda Pacheco.

Nos últimos dias, estivemos conversando com vários alunos das escolas públicas de Gaspar a convite do Colégio Uni, da cidade. A ideia era ‘simples’: deixar uma mensagem sobre comportamento e pró-atividade para essa meninada mesmo que elas estejam um pouco perdidas em relação ao que farão assim que saírem das escolas.

O projeto foi uma iniciativa do Colégio Uni em levar uma mensagem de impacto para os alunos de baixa renda da cidade no qual fomos convidados para participar da ação. Muito dessa apresentação foi bem parecida com a que eu fiz no Workshop Conexão Jovem, do SESI, com o Rodrigo Schilling e o Marcos Piangers.

O roteiro das escolas passa por 6 da rede pública da cidade, sendo que 4 delas, além da própria escola Uni Gaspar (escola privada), já foram atendidas até o momento da publicação desse texto.

A expectativa é que possamos alcançar aproximadamente 630 alunos até o final do roteiro.

Em relação as escolas, todas eram bem parecidas umas das outras, inclusive nas suas limitações físicas, pedagógicas e administrativas. Mas todas com o coração firme de boas intenções buscando melhorar as condições daqueles alunos na medida do possível.

As escolas que colocamos no nosso roteiro estão listadas abaixo:

  • Escola Basica Vitorio Anacleto Cardoso;
  • Escola de Educação Básica Zenaide Schmitt Costa;
  • E. E. B. Profª Dolores Luzia dos Santos Krauss;
  • Escola Básica Norma Mônica Sabel;
  • EEB Ivo D Aquino;
  • EEF Ferandino Dagnoni;

E para resumir toda essa jornada, descrevo neste texto o que eu apresentei para esses alunos durante toda essa caminhada.

E. E. B. Profª Dolores Luzia dos Santos Krauss

Local: E. E. B. Profª Dolores Luzia dos Santos Krauss

Aliás: se você trabalha com educação, mesmo que seja com educação para adultos (como nós), ter essa interação e saber conhecer um pouco sobre a vida de adolescentes de escolas neste perfil, é essencial para a sua experiência como educador e até como ser humano.

Vale a pena!

Para nós, educação é, acima de tudo, uma questão de comportamento

Muito mais que nota boa na prova, se você tiver um perfil pró-ativo e com disposição para enfrentar desafios diariamente, independente da sua complexidade, você terá ainda mais chances de ter sucesso na vida.

Escola: Escola Basica Vitorio Anacleto Cardoso;

Local: Escola Basica Vitorio Anacleto Cardoso;

Sendo o ‘sucesso’ algo relativo para cada pessoa, você provavelmente conseguirá alcançar o seu, mais cedo ou mais tarde, sabendo realizar e produzir para as pessoas ao invés de apenas esperar passivamente em meio a tantas mudanças acontecendo ao seu redor.

Obs: isso vale para nós, adultos, também. Quantas pessoas que conhecemos que ficam passivas vendo problemas alheios e não fazem nada, não é mesmo? 

No meu tempo de escola, eu nunca fui o melhor aluno da sala. Tirava as notas que precisava (e olhe lá…) para simplesmente fazer a minha parte e me livrar daquele momento o mais rápido possível. Por questões até óbvias, eu não tinha a maturidade que eu tenho hoje para saber aproveitar aquela fase de vida e hoje me arrependo das coisas que não fiz e que poderiam ter me ajudado na minha própria personalidade.

E é justamente saber “aproveitar esse momento” que a minha apresentação para essa galera foi direcionada.

O quanto podemos desenvolver habilidades e competências visando o futuro mesmo tendo 15 ou 14 de anos de idade e sequer sabendo qual profissão seguir?

Pois é, pergunta esquisita, mas muito mais possível de responder do que imaginamos.

O que eu tô querendo dizer? Veja:

Produção vs Reprodução. Se jogarmos essas duas palavrinhas no dicionário – ou no Google, mais fácil – e encontrarmos seus significados, veremos algo mais ou menos nesse sentido:

“Produção: dar origem, criar, dar, fazer trabalho de (criação), realizar, exibir, apresentar, causar, ocasionar, provocar…”

“Reprodução: produzir de novo, imitar, copiar, praticar novamente, refazer…”

Sempre que eu falo sobre essa pequena brincadeira de significados, eu gosto de fazer as seguintes perguntas:

– O que você mais costuma fazer dentro das salas de aula: produzir? Ou reproduzir?

Tirando a timidez na hora de responder uma pergunta esquisita dessa na frente dos amigos, aqueles que respondem são categóricos em dizer que suas ações em sala estão diretamente ligadas a reprodução de conteúdo pronto do que a produção de raciocínio propriamente dito.

Pelo menos, na maioria das respostas, o sentimento é esse.

Ou seja: é uma mistura de alunos que se sentem acomodados e pouco desafiados a se desenvolverem com professores que não sabem como ativar essa energia que há dentro desses adolescentes.

Isso acontece muito pois esses alunos sabem que o professor, uma hora ou outra, irá passar algum conteúdo já produzido, com várias respostas prontas e premissas definidas e eles, alunos, apenas precisarão reproduzir em algum tipo de prova ou trabalho porque assim eles terão a nota que eles precisarão para passar de ano.

Tá errado? Não. Mas poderia ser melhor.

Se isso garantirá a transferência de conhecimento para as suas cabecinhas, eu duvido. Mas que o sistema como um todo funciona assim, os próprios alunos já perceberam que sim.

E esse lance da produção de conhecimento é muito importante quando a gente observa a dinâmica social que estamos vendo – seja no lado econômico e/ou até político – e estar preparado para absorver essas mudanças será a cereja do bolo para qualquer profissional.

Ou seja, quanto mais a gente souber a produzir raciocínio e desenvolver nossa própria capacidade de responder perguntas complexas, mais preparados estaremos para o futuro mesmo que a gente nem saiba a carreira ou a profissão que teremos depois de sair da escola.

E isso, para mim, está diretamente ligado ao comportamento dessa galerinha em sala de aula. Quanto mais esses alunos tiverem a possibilidade e a iniciativa de correrem atrás de suas próprias conquistas, melhor será no futuro.

E quanto menos os professores entregarem respostas prontas para os alunos, melhor será para esses alunos buscarem a própria produção de conhecimento que precisam.

Local: E. E. B. Profª Dolores Luzia dos Santos Krauss;

Local: E. E. B. Profª Dolores Luzia dos Santos Krauss;

Além do mais, enquanto nós (profissionais da educação) não soubermos lidar com as competências e os comportamentos que esses alunos precisarão na fase adulta, exigir que esses tirem boas notas nas provas é querer impor uma responsabilidade muitas vezes cruel e até ineficiente sob as costas desses alunos.

Mas quais competências estou falando? As mais básicas, acredito eu, para um adolescente se desenvolver nessa fase de vida:

  • Inteligência Emocional;
  • Resiliência;
  • Análise Crítica;
  • Flexibilidade;
  • Capacidade de Aprendizado;

No fim, ter essas competências bem desenvolvidas, poderá fazer desse aluno alguém ainda mais diferenciado fora da escola – mesmo que ele(a) não tenha boas notas nas provas.

Mas por que produzir é mais importante do que apenas reproduzir? 

Entre outra razões, um dos motivos é esse: o mercado ligado a inteligência artificial estima-se que o montante de dinheiro que irá girar nesse universo é de 47 bilhões de dólares até 2020. E que 5 milhões de pessoas serão substituídas pelas máquinas nos próximos anos.

O programa Mundo S/A abordou esse ambiente e você pode assistir aqui:

A questão não é (apenas) ter mais robôs substituindo humanos por aí. Beleza, faz sentido, isso tudo pode ser (e é!) útil para muitas coisas nas nossas vidas e as consequências da inteligência artificial para as relações entre as pessoas tendem a ser muito positivas, querendo ou não.

Ao mesmo tempo, o que precisamos entender é que, nós, seres humanos, precisaremos estar mais preparados para essa nova revolução que, além de inevitável, ela já é real.

Não temos como evitar que essa brincadeira aconteça. Mas temos como fazer parte dela, sem sombra de dúvidas e a educação tem um papel extremamente importante nisso tudo.

Mas como estaremos preparados para encarar toda essa mudança social e econômica sendo que as nossas crianças (e até universitários) estão muito mais acostumados a ouvirem ordens e reproduzir coisas prontas do que lidar com as adversidades e resolver problemas e desafios produzindo conteúdos de valor?

Realizando ações e iniciativas dentro da própria escola. Gerando representações internas entre os estudantes, que possam proporcionar esse desenvolvimento de comportamento usando o que eles já possuem, sendo quem são e trabalhando de forma colaborativa.

Seja participar do grêmio estudantil da escola, se reunindo regularmente para ajudar famílias necessitadas, auxiliando professores a melhorarem suas aulas e até auxiliando alunos mais novos por meio de interações mais recreativas, simples e divertidas, esse estudantes estarão crescendo diariamente para encarar um mundo com cada vez mais novidades desafiantes fora da escola.

Por fim, se você souber produzir um comportamento adequado dentro desses apelos sociais que estamos enxergando, então você estará preparado para o que vier.

Mais ação e menos mimimi.