As 11 escolas mais incríveis do mundo

No mundo todo, a maioria das crianças e adultos passam por uma educação tradicional, na qual aprendem conteúdos enraizados por intermédio de um professor, são testados através de provas e trabalhos, e precisam constantemente comprovar sua capacidade para escalar etapas e chegar até a universidade.

Muitas vezes, esse tipo de abordagem não traz à tona o melhor de cada estudante. Cada vez mais, filósofos, educadores e psicólogos estão descobrindo que as escolas tradicionais são ultrapassadas, matam a criatividade e não suprem a demanda atual por indivíduos com características empreendedoras e inovadoras.

No entanto, algumas das escolas mais incríveis do planeta estão começando a mudar o panorama acadêmico mundial. Conheça onze delas:

1. Vittra

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Nessa escola sueca, os alunos agem de forma independente em seus laptops, em qualquer lugar que lhes seja confortável e conveniente. Com 30 instituições ao redor do país, o método elimina totalmente as salas de aula. Os alunos são livres para trabalhar no que quiserem, sendo que há opções de trabalhos em grupo e “móveis orgânicos conversacionais” que permitem que as crianças interajam umas com as outras.

A Vittra pensa que, ao quebrar as divisões de classe físicas, as crianças podem ser ensinadas a viver com autoconfiança e comportamento comunal responsável. De acordo com a diretora da escola, Jannie Jeppesen, o projeto se destina a permitir que a curiosidade e a criatividade floresçam nas crianças. Eles não trabalham com notas.

2. Escola Primária José Urbina López

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A Escola Primária José Urbina López fica ao lado de um lixão na fronteira do México com os EUA, atendendo moradores de Matamoros, cidade que luta uma extensa guerra contra as drogas. Era apenas mais uma escola formando estudantes desmotivados, até que o professor Sergio Correa Juárez resolveu introduzir um método de educação alternativa em sua classe. Ele adotou uma filosofia educacional emergente que se aplica a lógica da era digital para a sala de aula.

Mais ou menos como o método Vittra, ele resolveu que os alunos deveriam ser livres para se focar nos assuntos que tivessem mais vontade. Como o acesso a um mundo de informação infinita mudou a forma como nos comunicamos, processamos informações e pensamos, Juárez decidiu, baseado nas pesquisas que fez, que conhecimento não deve ser uma mercadoria entregue de professor para aluno, mas algo que emerge da própria exploração movida a curiosidade dos alunos. Seus resultados deram bons frutos: o método revelou habilidades extraordinárias na pequena estudante de 12 anos Paloma Bueno, hoje no topo do ranking de matemática e linguagem no México.

3. Escolas sem professores de Sugata Mitra

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Para implementar sua nova filosofia, Sergio Correa Juárez pesquisou diferentes métodos de educação alternativa, um deles o de Sugata Mitra. Em 1999, Mitra era cientista-chefe de uma empresa em Nova Deli, na Índia, que treinava desenvolvedores de software. Seu escritório ficava à beira de uma favela e, um dia, ele decidiu colocar um computador em uma parede que separava seu edifício da favela. Para sua surpresa, sem ninguém intervir, as crianças rapidamente descobriram como utilizar a máquina. A partir disso, Mitra fez vários experimentos que levaram muito conhecimento a diversas crianças, tão avançados quanto em biologia molecular, por exemplo.

O método de Mitra é mais um que consiste em deixar as crianças aprenderem livremente, sem a presença de uma autoridade. A ideia é que elas se auto-organizem e estejam no controle do seu aprendizado. Nas suas escolas não há professores, currículo ou separação por grupos etários. No entanto, há um grupo de tutores que estão disponíveis via Skype, que os alunos podem consultar se quiserem.

4. Método Montessori

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Método Montessori é o nome que se dá ao conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos idealizado inicialmente por Maria Montessori em 1907. O ponto mais importante do método é que a educação se desenvolva com base na evolução da criança, e não o contrário.

Montessori escreveu que o desenvolvimento se dá em “períodos sensíveis”, de forma que em cada época da vida predominam certas características e sensibilidades específicas. Sem deixar de considerar o que há de individual em cada criança, o método traça perfis gerais de comportamento e possibilidades de aprendizado para cada faixa etária, com base em anos de observação. Os seis pilares educacionais de Montessori são autoeducação, educação como ciência, educação cósmica, ambiente preparado, adulto preparado e criança equilibrada.

5. Pedagogia Waldorf

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O método Waldorf foi criado por Rudolf Steiner na cidade de Stuttgart, na Alemanha, para educar os filhos de Emil Molt, proprietário da empresa Waldorf-Astori. Hoje, existem várias escolas no mundo todo (inclusive no Brasil) que utilizam essa pedagogia.

Em resumo, ela tem como objetivo desenvolver a personalidade das crianças de forma equilibrada e integrada, estimulando a clareza de raciocínio, o equilíbrio emocional e a iniciativa da ação. Steiner desenvolveu um currículo que incentiva e encoraja a criatividade, nutre a imaginação e conduz os alunos a um pensamento livre e autônomo.

6. Escola de Summerhill

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A escola se baseia no pensamento do escocês Alexander Sutherland Neill: nela, as crianças fazem o que querem. Com 90 anos de idade, Summerhill é, provavelmente, a mais célebre das chamadas escolas democráticas: as aulas são opcionais e os alunos só as atendem se quiserem. Além disso, a gestão da instituição também é democrática; todas as decisões são coletivas.

Além de Summerhill, pelas contas da Rede Internacional de Educação Democrática, há mais de 200 escolas com essa proposta em 28 países, atendendo em torno de 40 mil alunos. Outros exemplos famosos são a Sudbury Valley School, nos Estados Unidos, e a Escola da Ponte, em Portugal. A experiência lusitana influenciou o projeto pedagógico de instituições brasileiras, como a escola particular Escola Lumiar e as escolas públicas EMEF Desembargador Amorim Lima e EMEF Presidente Campos Salles, todas em São Paulo.

7. Abordagem Reggio Emilia

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Esse método foi criado em 1945 por Loris Malaguzzi, um jovem professor que na época ensinava crianças da região italiana de Reggio Emilia. O sistema educacional tem uma estrutura com uma forte organização, um grande relacionamento com a comunidade e uma intensa participação dos pais.

No ponto central da abordagem, está a crença de que as crianças são cheias de curiosidade e criatividade. Em suas mentes, existem espaços vazios esperando para serem preenchidos por fatos, imagens ou datas. Por isso, o currículo nas escolas é flexível e emerge das ideias, pensamentos e observações das crianças. Seu objetivo principal é cultivar uma paixão permanente pela aprendizagem e pela exploração.

8. The School of Life

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Como podemos desenvolver nosso potencial? O trabalho pode ser algo inspirador? Por que a comunidade importa? A The School of Life (em tradução livre, “A Escola da Vida”) trabalha exatamente questionamentos como esses. Em vez de disciplinas, a instituição coloca em primeiro lugar o indivíduo e as questões que o afetam, como a pressão do tempo e a ideia da morte.

O método foi criado pelo filósofo e escritor suíço Alain de Botton em 2008 e já chegou ao Brasil, com cursos intensivos em São Paulo. A ideia é ajudar os alunos a lidar com os dilemas do ser humano, passando por filosofia, psicologia e artes visuais, e destilar grandes pensamentos de todas as épocas para enriquecer o cotidiano dos estudantes.

9. Brockwood Park School

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Brockwood é uma escola internacional inglesa que oferece uma educação holística personalizada para pouco mais de 70 alunos com idade entre 14 a 19 anos. Seus métodos são profundamente inspirados pelos ensinamentos de J. Krishnamurti, e incentivam a excelência acadêmica, a autocompreensão, a criatividade e a integridade em um ambiente seguro e não competitivo.

A educação Brockwood não é exclusivamente acadêmica. Na verdade, ela integra a excelência acadêmica em sua missão de ajudar os alunos a aprender a arte de viver, e reúne aspectos da aprendizagem, sensibilidade, abertura de espírito e autorreflexão que são muitas vezes ignorados por escolas mais tradicionais.

10. Kaospilot

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A escola dinamarquesa Kaospilot aposta no ensino colaborativo e baseado em projetos para formar seus alunos. A instituição é uma escola internacional de empreendedorismo, criatividade e inovação social fundada em 1991, que propõe uma formação de 3 anos onde os “alunos profissionais” são protagonistas do seu próprio aprendizado, e onde estudos de caso são completamente substituídos por projetos reais com clientes de verdade.

A formação tem três ênfases: desenho e gestão de projetos criativos; desenho e liderança de processos criativos; desenho e criação de novos negócios. A cada ano, formam-se 35 novos “pilotos do caos”. Em 2009, o primeiro brasileiro formou-se por lá, Henrique Vedana, sócio da CoCriar, organização que ajuda grupos de pessoas (como empresas, ONGs e institutos) a se entenderem melhor por meio de conversas que valorizem a habilidade de cada membro para a realização de um trabalho coletivo.

11. Pedagogia logosófica

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A pedagogia logosófica proporciona uma educação voltada à formação mais consciente diante da vida e da sociedade. Com oito unidades educacionais no Brasil e cinco no exterior, a instituição se fundamenta na logosofia, doutrina criada há 80 anos pelo pensador e humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotche.

A proposta surgiu como reação à rotina dos conhecimentos e sistemas usados para a educação e a formação do ser humano. O objetivo do ensino é estimular os alunos para que sejam pessoas cada vez melhores e mais conscientes de seus atos, palavras e sentimentos. As escolas com pedagogia logosófica não estimulam competição entre alunos, trabalham a superação das dificuldades com motivação e respeitam as individualidades e limitações de cada um.

Fonte: Hypescience.

Casamento: 5 erros comuns que distanciam os casais da independência financeira

Casamento e realizações financeiras são temas muitas vezes vistos como tabus, e não pode ser assim. Para enriquecer enquanto família, devemos implementar mudanças de postura, atitude e novos hábitos; o casamento precisa ser encarado como uma etapa importante de um processo planejado e prazeroso.

Vivi na pele o que a incompatibilidade de objetivos é capaz de fazer e aprendi que a maturidade para discutir e rever prioridades é tão importante quanto a união do casal. Entendo que é em torno de metas comuns, fortes o suficiente, que crises serão ultrapassadas e alegrias serão compartilhadas.

Achei por bem listar os cinco principais erros que eu cometi, mas que também presenciei ao trabalhar ao lado de diversos casais com problemas financeiros (alguns bastante graves e complicados):

Erro 1: Acreditar que o casamento só começa depois que ele acontece

A maior parte dos casais se depara com o que chamo de “síndrome da realidade do casamento”, que nada mais é do que a vida real, sob responsabilidade compartilhada, e que exige atenção.

Na nova configuração, a geladeira não se preencherá sozinha, as contas não se pagarão automaticamente e por aí vai. Trocar o conforto da casa dos pais pela necessidade de decidir (e resolver) tudo costuma dar trabalho.

Este aspecto pode ser minimizado com mais diálogo e, principalmente, mais ação. Durante o namoro e noivado, é importante que objetivos plausíveis e inteligentes sejam compartilhados e alimentados.

Também é fundamental que o casal estabeleça regras simples de planejamento a serem respeitadas para que estes objetivos sejam alcançados. O primeiro “sim” é o que realmente importa.

O casamento, portanto, começa muito antes de sua oficialização social e/ou religiosa. Um relacionamento pressupõe afinidades, confiança e responsabilidade a ponto de incluir também o dinheiro como uma prioridade. Desde o começo, e para sempre.

Leitura recomendada: Não deixe a crise acabar com o seu casamento (cadê o amor verdadeiro?)

Erro 2: Adiar (empurrar) decisões difíceis e trabalhosas

É comum que as discussões sobre as finanças de um casal esbarrem em temas delicados, como consumo de itens considerados supérfluos, gastos excessivos com determinados produtos ou serviços (eletrônicos, salão de beleza, por exemplo) e por aí vai.

Fica mais fácil acomodar-se e esconder do outro o que o incomoda que sentar e ter uma conversa franca, direta e adulta. As consequências deste comportamento são perigosas: distanciamento, falta de diálogo e cobranças constrangedoras minam a energia de qualquer família.

É importante que exista cumplicidade diante da responsabilidade de lidar com o lar e a nova família. Isso significa participar das decisões financeiras, saber bem os limites do “novo conjunto” e respeitar regras de investimento e padrão de vida.

Pode ser que um dos cônjuges precise mudar temporariamente seus hábitos, alterar sua maneira de cuidar das finanças ou até mesmo aprender algo sobre controle financeiro e investimentos. Faça o que precisa ser feito, não o que dá menos trabalho e é mais fácil.

Erro 3: Confundir individualismo com individualidade 

As controvérsias mais acaloradas são as que envolvem a importância da flexibilidade entre membros de uma família. Leia de novo. Casamento não significa abdicar de quem você é, nem tampouco apenas insistir para que o outro (e só ele) mude.

Entendo que é preciso manter-se presente nas atividades que trazem felicidade e são relevantes, ao mesmo tempo em que é essencial admirar o outro pela mesma decisão e atitude.

Casar-se pressupõe continuar sendo um ser humano, mas com alguém mais para aplaudi-lo e oferecer-lhe o ombro. E para criticá-lo, se for o caso. Alguém com quem dividir a vida e todos os seus desafios, mas sem deixar de ser você mesmo.

Há que se observar os limites do bom senso: momentos de solidão, atividades desacompanhadas, hobbies e hábitos saudáveis pré-casamento devem equilibrar-se ao lado dos novos desafios da vida a dois.

Não é preciso (e nem tão importante) gostar das mesmas coisas, mas é imprescindível gostar do sorriso de realização estampado no rosto da pessoa amada. É impossível não ser feliz estando ao lado de alguém feliz.

Workshop sobre Finanças Pessoais: Vida Próspera, Livre de Dívidas – 13 de Junho em Blumenau.

Erro 4: Apoiar-se sempre em justificativas e ter desculpa para tudo

A zona de conforto é assunto antigo, lugar-comum na literatura de finanças pessoais. Lidar mal com limites implica em uma vida artificial, de conto de fadas, que só existe na mente de quem ainda não está maduro o suficiente para dar passos mais arriscados.

O casamento implica assumir riscos, andar rumo ao desconhecido e tomar decisões complicadas. Transferir o peso destes passos para um terceiro facilita o dia seguinte, mas gera ansiedade, insegurança e, principalmente, desconfiança.

O futuro de um relacionamento é consequência das decisões (ou falta delas) tomadas no seu dia a dia, não nos planos ou sonhos. Se a responsabilidade é nossa, a culpa também tem que ser.

Aceitar isso tira um enorme peso das costas: errar faz parte, então o melhor a fazer é admitir, conversar, pedir ajuda e dar a volta por cima. Entendo que para muitos casais falta coragem e humildade para reconhecer isso – estes são os que mais abusam das desculpas esfarrapadas.

Cuidado com a necessidade de apontar sempre o culpado. Aquele que deixa de visitar o bar com os amigos ou de jogar bola porque se casou e diz que “sua esposa não gosta” está simplesmente optando pelo caminho mais cômodo.

Você realmente quer continuar a fazer isso? É importante? Às vezes deixamos de fazer algo porque não gostamos mais, queremos mudar, mas teimamos em justificar, já que é o que a sociedade espera que aconteça. Hipocrisia, sempre ela, sempre presente. Cuidado.

Erro 5: Sonhar sozinho e isolar-se

A falta de diálogo normalmente cria um cenário triste, onde pouco se discute os caminhos do casal. Perde-se o ânimo pelo novo, pelos desafios e por conquistas em nome da família. É aquela história: duas pessoas juntas, vivendo vidas completamente separadas, isoladas. Praticamente uma república. Conheço muita gente assim…

Alguns buscam na decisão de ter filhos a chave para tentar mudar este quadro; outros preferem abusar de álcool, drogas e de uma “outra vida”, extraconjugal. Sonham e fazem o que querem, sem a mínima consideração pela família.

Como em um ciclo, alternam-se entre o segundo e o quinto erros. O casamento se deteriora e vai “acabando um pouquinho, todo dia”. O pior? Fica-se com a impressão de que casar é que foi a origem de todos os problemas e da desilusão. Será mesmo?

Conclusão

Depois do que passei, percebi que o amor entre duas pessoas pela metade não faz a unidade de um casal, um casamento inteiro. A cara metade não resolve!

É preciso que dois adultos, inteiros e responsáveis, decidam transformar suas vidas em algo novo, mas principalmente algo diferente. Transformar porque não adianta se unir apenas para satisfazer expectativas dos outros (dos pais, da família, da sociedade ou de quem for).

Interessa mesmo expandir horizontes e atingir metas maiores e mais desafiadoras. A conversa franca, os planos detalhados e o controle financeiro são o suporte para o que virá adiante – com a certeza de que a decisão foi tomada de pé, com a cabeça erguida.

O que os outros esperam de você não interessa quando você tem alguém do seu lado que não espera nada, mas faz acontecer. Faz sentido?

Texto original de Conrado Navarro no Dinheirama.

Ensino, logo aprendo. Compartilhe o que você sabe, mesmo não sendo um especialista

Uma vez me perguntaram se o modelo de educação que a isCool promove tem de fato algum valor. Primeiramente eu fiquei um pouco assustado porque, acima de tudo, eu não sou pedagogo e isso me limita um pouco para responder esses tipos de questionamentos mais técnicos ou setoriais.

Mas ao mesmo tempo, percebo que a resposta para essa pergunta pode ser feita de várias maneiras, todas justificando os desafios que o modelo proporciona ao mesmo tempo enfatizando sobre os benefícios que ele promove para os outros.

Resumindo, é o seguinte: sim, eu aposto nesse modelo! Eu simplesmente acredito que a educação ela pode ser muito mais simples e direta comparada ao modelo tradicional que temos desde a infância. E entendendo essa lógica, uma forma de permitir que a educação vire algo mais acessível para as pessoas e descentralizar a responsabilidade de alguns agentes sociais importantes na sociedade (professores e políticos, por exemplo) e emponderar pessoas comuns e dizer que elas, também, tem esse dever de compartilhar conhecimentos com outras pessoas.

Ou seja: não é só um professor ou um político que são responsáveis por um país melhor por meio da educação. Nós, como cidadãos, também temos esse dever e nada mais justo do que assumir essa bronca com eles.

E quando você vê uma ‘pessoa normal’ assumindo o papel de um professor em frente a uma turma de 20 ou 30 pessoas, é porque você entende que a educação simples e acessível é muito possível de realizar.

Assim, reforço a minha crença que sim, o modelo da isCool faz muito sentido. Pelo menos para mim.

Mas se eu não sou um especialista, por que eu deveria ensinar alguém?

Primeiro, você não precisa ser um especialista para compartilhar seus conhecimentos com alguém. Até porque, se pararmos para pensar nessa lógica, há muitos especialistas dentro de uma Universidade e ainda assim, esses ambientes não são perfeitos. Seja pela didática mal feita, pelo salário mal pago ou pela estrutura precária, o fato do professor ser especialista não garante nada – por mais que possa ajudar bastante.

Assim, toda vez que alguém vem compartilhar algum conhecimento com a isCool, a gente fala o seguinte: “cara, não importa o que você sabe e o quanto isso pode ser importante para alguém, uma vez que você tem sangue no olho e vontade de impactar as pessoas, nosso papel é fazer isso acontecer. Não julgamos conhecimento, mas trabalhos a força de vontade.” Tá, ok. Não é exatamente nessas palavras, mas essa é a mensagem.

Uma sugestão bem interessante para quebrar essa pira é entender o que Sean McCabe, um letrista e designer tipográfico que construiu uma comunidade de milhares de pessoas, disse uma vez:

“Não se precisa ter uma audiência para ensinar, e nem se precisa ser um especialista. Se constroi uma audiência e se é visto como um especialista AO ensinar.”

— Sean McCabe, (@seanwes) 9 de junho de 2014

O cara que cria sua audiência desenvolvendo experiências de educação se torna uma referência mais rápido do que aquele que espera a excelência como um ponta pé inicial. Ora, eu mesmo já realizei 5 workshops pela isCool (e to montando outro) para falar de empreendedorismo e o máximo de empreendedorismo que eu cheguei foi presidir uma ONG na minha cidade até criar a isCool de fato.

Ou seja, eu não precisei ter um status de grande sucesso para ajudar outras pessoas. Eu entendi que o meu conhecimento poderia ajudar pessoas que ainda estavam aprendendo sobre empreender e montei uma apresentação para ela. Logo, fui me tornando uma referência para elas e as coisas foram tomando proporções maiores – inclusive surgindo convites para palestras e TEDx. Do caralho!

Não há problema em não saber todas as respostas, e tudo bem cometer erros. Ao vermos o processo sob a perspectiva de “compartilhar o que se sabe” isso abre o espaço para que nos sintamos confortáveis para errar, mudar de opinião e compartilhar o conhecimento no contexto da própria experiência. Não torna o processo em nada menos valioso para os “alunos”, mas pode ser mais fácil começar encarando assim.

Ensino, logo Aprendo

Meu, frase baita clichê, e não sei o que. Mas cara, faz todo o sentido. E faz ainda mais sentido quando a gente coloca essa frase em baixo da nossa logo. Genial! Essa ideia faz a gente acreditar ainda mais no que fazemos e não é só a gente que pensa assim.

Essa pesquisa mostrou que quando explicamos algo, entendemos melhor nós mesmos. O processo de ensinar ajuda a reconhecer falhas em nossa própria compreensão e a organizar melhor a informação em nossas mentes.

Também assimilamos melhor as informações novas quando estamos cientes de que as estaremos ensinando no futuro. Isso parece ocorrer por que é uma forma diferente de focar o material de aprendizado. Sabemos que precisamos prestar atenção aos pontos mais importantes e organizá-los em nossas mentes quando precisamos ensinar aquilo a alguém.

Na isCool, acreditamos que você aprende ensinando tanto quanto quem apenas aprende. E isso é o nosso maior propósito. A partir do momento que você está exposto a um desenvolvimento a partir do seu próprio conhecimento, chegou a hora de colocar tudo isso para fora!

E não precisa ser somente com a gente não, fica frio. Explore outras perspectivas. Mesmo que você tenha uma audiência de zero pessoas, comece o blog, o podcast ou a criar vídeos para compartilhar os conhecimentos que você está aprendendo. Você colherá os benefícios em seu próprio processo de aprendizado, não importa se você já está ajudando os outros ou não.

E por fim, ensinar te faz virar uma referência de acordo com a audiência que você constrói além da dedicação que você deposita nos conteúdos que você desenvolve. O reflexo pode ser imenso, inclusive na sua marca comercial.

Quando você cria conteúdo útil em termos práticos, isso o ajuda a consolidar uma audiência melhor do que qualquer outro tipo de conteúdo.

Como James Clear já apontou, pessoas bem sucedidas começam antes de se sentir prontas. Ensinar não é exceção.

Não se preocupe com ter atingido o status de “especialista”, ou com o tamanho de sua plateia. Coloque o foco no que já aprendeu, e no que está aprendendo agora, e em como seria possível compartilhar essas lições de forma a ajudar os outros. Pode ser útil imaginar que se está ensinando a si mesmo no passado, antes de se ter aprendido tudo isso.

Comece a compartilhar o que sabe. E não esqueça que sempre há alguém que sabe menos que você. Vá ajudá-los. Conhecimento só tem valor se for compartilhado.

O resto é resto.

Rodrigo Oneda Pacheco
Diretor de Mim Mesmo na isCool