Um mundo sem lixo é possível?

Para responder a esta pergunta, nós precisamos, primeiro, entender o que é lixo. Ora, pois, como se diz em Portugal, vamos lá. Por muito tempo, a palavra lixo era usada para descrever as sobras de atividades humanas que eram consideradas inúteis ou sem valor. Mas se olharmos para os resíduos que geramos em casa todos os dias, logo percebemos que isso não é bem verdade.

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Considerando que mais ou menos metade do produzido é orgânico (restos de alimentos) e quase todo o restante é material reciclável, o que sobra, afinal, não tem nada de lixo. Muito pelo contrário: são recursos valiosos que podem ser transformados, gerando renda para famílias, movimentando a economia, preservando ambientes e diminuindo a pressão sobre os bens naturais.

Isso acontece porque o que é orgânico pode ser compostado, virando adubo e gerando biofertilizante, e o que é de vidro, plástico, papel, metal ou de combinações destes elementos pode voltar para a cadeia produtiva por meio da reciclagem ou reutilização, formando novos produtos. Então, respondendo à pergunta, sim, é possível um mundo sem lixo!

Rejeitos, recicláveis e orgânicos

O conceito lixo zero (zero waste, em inglês – desperdício zero) surgiu na década de 1970 na indústria química. Desde então, espalhou-se para outros setores da sociedade em todo o mundo.

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010, diz que recicláveis e orgânicos são considerados resíduos sólidos, termo que indica potencial de reaproveitamento ou tratamento. Ou seja, não é lixo. Rejeito é o resíduo sólido que não pode ser reaproveitado ou tratado porque ainda não existe tecnologia para tal ou porque não é economicamente viável. Na prática, este é o único de todos os resíduos gerados que deveria ir para o aterro sanitário ou industrial.

Quando se diz lixo zero, entende-se que não existe lixo, pois os resíduos orgânicos e recicláveis são, na verdade, recursos valiosos. Mas mesmo assim, acontece de gerarmos lixo no dia a dia. Isso porque, quando misturamos todos estes materiais, acabamos impossibilitando, ou no mínimo, dificultando a reutilização ou reciclagem.

O conceito lixo zero, portanto, refere-se à separação correta dos resíduos (com a higienização devida), à destinação adequada (o que é orgânico, compostagem; recicláveis, reciclagem ou reuso) e o máximo reaproveitamento, reduzindo o que é encaminhado para os aterros sanitários.

Quando evitamos usar aquilo que é considerado rejeito, acabamos não enviando nada para o aterro. Assim, não geramos lixo.

Lixo zero na prática

O que ajuda muito no processo de tornar-se lixo zero é compreender que não existe “jogar fora”, pois tudo continua dentro do planeta. Depois que você experimenta a liberdade de viver e consumir conscientemente, sem prejudicar a nossa grande casa e sua bela biodiversidade (da qual somos parte!), well, baby, o negócio só melhora.

Você começa levando sua própria sacola ecológica para as compras e quando vê, já não vive mais sem uma composteira ou minhocário e não sai de casa sem sua própria garrafa permanente, guardanapo de pano e potes para compras a granel, entre muitas outras atitudes em prol do lixo zero.

A adoção de uma vida lixo zero passa por todos os setores do nosso cotidiano e nos permite fazer tudo que já fazemos, mas sem produzir lixo ou, então, gerando o mínimo de resíduos possível. Higiene pessoal, limpeza da casa, alimentação em casa e na rua, viagens e tudo o mais entram na festa.

Para nos ajudar no dia a dia, contamos com a família dos Rs, importantes aliados do conceito lixo zero: recusar o que pode gerar lixo, reduzir, reutilizar, reparar, reintegrar à natureza pela compostagem e reciclar. De ação em ação, vamos diminuindo nosso impacto negativo sobre o planeta e incentivando outras pessoas a mudar de hábitos, sem precisar se mudar para o meio do mato para preservar o ambiente.

Na oficina “Como ser lixo zero na prática”, vamos mostrar atitudes simples e práticas que vão revolucionar a maneira como você vê o mundo e se relaciona com ele, além de dar dicas de como fazer este processo de forma autônoma na sua vida, aprendendo a identificar pontos de melhoria e buscar soluções.  

Texto enviado pela Letícia Klein, Jornalista e técnica em meio ambiente na FAEMA.